Aprendi muito cedo, na escola, que a natureza não dá saltos. Aprendi na vida que, quando semeamos, não podemos colher no dia seguinte. Uma planta precisa de terreno próprio para germinar, para crescer e poder dar frutos. Se encharcamos uma planta com adubos, mais naturais ou mais químicos, é provável que lhes atrofiemos o crescimento porque contrariamos a natureza e não lhe damos o tempo nem os nutrientes necessários para crescer e produzir saudavelmente.
Nos últimos 15 ou 20 anos temos contrariado a natureza das escolas e dos alunos, e também dos professores, encharcando-os com medidas burocráticas contranatura e anti escola. É o caso do projeto MAIA, agora falecido, e de muitos outros projetos e oficinas que atrofiam o natural crescimento das aprendizagens dos alunos e contaminam todo o terreno em que estas ocorrem, levando à desmotivação generalizada da comunidade escolar, dos alunos e dos professores.
Enchemos as escolas como se fossem uma floresta de eucaliptos com crescimento rápido e sucesso garantido, à custa da falta de regras, falta de democracia, falta de responsabilidade e onde tudo é fácil, com o sucesso sempre à mão, porque o eucalipto cresce rápido e sem trabalho.
Regamos e cultivamos este campo, que poderia ser fértil, com despachos e mais despachos, inovações e mais inovações e muito experimentalismo, burocracia e mais burocracia, e ordens e diplomas para estabelecer critérios, que nunca são os mesmos e que ardem à velocidade dos fogos florestais, ano após ano. Tudo, consoante a vontade de um qualquer pretenso guru que se faz apresentar sempre com o último grito da pedagogia, porque ontem estava tudo errado.
Produzimos, assim, matéria prima barata para a indústria transformadora da educação poder crescer, deixando atrás de si um deserto de conhecimento e valores que esta escola nunca conseguiu nem conseguirá ensinar ou transmitir aos seus alunos.

