Nestes últimos 15 anos, vivemos muitas crises em Portugal. Nenhuma delas se deveu ao défice de projetos piloto nas escolas. Os projetos-piloto proliferaram como cogumelos. Mas nenhum era piloto. Ou, nenhum tencionava e tenciona ser piloto. A imaginação desvairada que os sustenta pretende que eles sejam todos definitivos.
Alguns detalhes desses projetos, nenhum professor deveria estar na disposição de perdoar às almas perdidas que os imaginaram e impuseram. Em primeiro lugar, como é habitual neste país à beira mar arrancado, acha-se sempre possível, numa escola, produzir muito sem investir. Os professores inventam e a obra, ou sombra dela, aparece. Os professores, e os alunos, têm de trabalhar com sombras, porque pouco mais têm do que sombras para executar qualquer projeto com dignidade. Eu não tenho nada contra projetos, mas não brinquemos com coisas sérias. A escola é, ou deveria ser, uma coisa séria.
Quando esses projetos dão à luz, por parto natural ou cesariana, é uma festa. São apresentados em tronos com mantos de púrpura e ornamentados com discursos de veludo como se estivéssemos em presença da oitava maravilha do universo. O Graal da pedagogia. O D. Sebastião das escolas, dos alunos e dos professores.
Promete-se uma monitorização, convidam-se especialistas – outra coisa de que também não temos défice -, simulam-se inquéritos a toda a comunidade escolar e os resultados são sempre maravilhosos. Sempre muito acima do esperado. Alguns deles, às vezes, chego a pensar que não ficam muito a dever à verdade e honestidade das eleições em alguns clubes de futebol ou aos dados das eleições apresentados por alguns partidos políticos em alguns países.
Nenhuma argumentação sólida, nenhum estudo rigoroso que fundamente a introdução, a continuidade ou o fim desses projetos, ditos de inovadores, no currículo dos alunos. Nem antes, nem durante, nem depois. E as escolas e os alunos já têm mais projetos do que disciplinas.

