Aprendi a distinguir na escola o conceito de transparência, translúcido e opaco. Depois, aprendi na vida que o conceito de transparência não era muito bem como me ensinaram. Também aprendi na vida que a natureza humana é muito pouco transparente e, a maior parte das vezes, mais opaca que translúcida.
Nos últimos anos, sucessivos governos transformaram as escolas em verdadeiras nuvens cinzentas, ora coloridas de cambiantes mais cinza escuro, ora completamente envoltas em nevoeiro cerrado, às vezes, negro como breu. A opacidade transformou as escolas em espaços onde pouco se aprende de democracia e transparência.
Vou tentar abrir o foco e orientá-lo para duas situações concretas onde o nevoeiro se instalou e teima em não se levantar. E falo de avaliação. Avaliação de professores e avaliação de alunos. Nenhuma delas me é estranha.
Enquanto aluno, até terminar a universidade, os resultados das avaliações, minhas e dos meus colegas de estudo, foram sempre transparentes e qualquer um as poderia consultar. Bastava abrir os olhos e olhar para a vitrina onde estavam afixadas. Eu sabia da minha avaliação e da avaliação dos meus colegas. Ninguém encobria com nuvens de fumo o que todos tinham direito a ver, claro como água cristalina. Não se criavam espaços para desconfianças. E, mesmo que os houvesse, imediatamente poderíamos reclamar ou pedir satisfações.
Não podemos esquecer que uma avaliação, bem ou mal feita, pode determinar rumos de vida completamente diferentes, para melhor ou para pior. Em democracia, ninguém deveria poder ocultar aquilo que eticamente deveria ser transparente. E Isso não acontece.
Os resultados das avaliações, tanto a dos professores como a dos alunos, não estão acessíveis para consulta, de forma clara e transparente. De súbito, pela calada da noite, as avaliações dos alunos desapareceram das vitrinas das escolas. Quanto às dos professores, nem sequer alguma vez tiveram direito a vitrina. Eu ficaria muito satisfeito se pudesse confrontar o resultado da minha avaliação com a dos meus colegas.
Os argumentos invocados para ambas as situações, têm tanto de cretino como de ridículo. Também se invoca que as podemos requerer. É verdade. Mas não justifica a falta de transparência. Quem não deve não teme e, em democracia, não é aceitável nem uma coisa nem outra.

