Deve ser por isso. A crise da meia idade. Todos nós passamos por crises, por uma razão ou por outra. Esta é da meia idade política. Embora também a possamos designar pela crise da idade média. As pessoas hoje gostam muito da idade média. Não é por acaso que lhe dedicam tantas feiras e tantas festas.
Nunca fui um grande admirador ou apreciador da idade média, mesmo quando estudei filosofia medieval. Muitos não concordam, mas eu mantenho a opinião de muitos historiadores sérios que a consideram de mil anos de escuridão. Mais ou menos o tempo entre os séculos V e XV. Esta crise da meia idade, a crise dos 50 anos depois do 25 de abril, compreende-se melhor e explica muito dos resultados eleitorais do domingo.
Os portugueses demonstraram, graciosamente, que estão cansados de tanta democracia e de tanta liberdade. Portanto, melhor seria o regresso à idade média e não queremos cá nada de modernismos. Razão tinha o Sartre. A liberdade é uma chatice. Obriga as pessoas a optar e as opções só geram angústias. Nós não gostamos de angústias e na idade média não havia opções e o melhor é festejarmos esse tempo maravilhoso. Sem opções e sem angústias.
É pena é que não tenham lido um pouco mais para se informarem, porque na idade média havia muitas doenças e pestes e guerras e morria muita gente com bubónica e lepra. Está certo que as lepras agora têm outros nomes mais bonitos e com tantas festas e feiras e arruadas as pessoas acabam por gostar muito. Ainda bem.
Nesta crise medieval, ou da meia idade, ainda há coisas que não consigo interpretar muito bem. Eu sei que a religiosidade é muito forte. Nas crises, aumenta sempre a religiosidade. Mas, o que não entendo são tantas manifestações de amor pelo papa que morreu e pelo outro que o substituiu e depois gostamos tanto da lepra que mata os mais fracos, pobres e vulneráveis. Deficiência minha, com certeza.
Talvez o próximo plano nacional de saúde resolva esta questão. Até lá, saúde para todos.

