Contrafação e informação

Todos gostamos de Contrafação. Eu próprio já consumi alguma. Não adianta fingir. Se pudermos comprar um relógio da Timberland ou uma malinha da Louis Vuitton por meia dúzia de euros, ficamos todos muito felizes, porque fazemos figura de ricos com pouco dinheiro. E estamos na moda.

Se a contrafação não for regulada e controlada corremos todos o risco, consciente ou inconscientemente, de andarmos a comer gato por lebre. Não foi por acaso que foi criada uma agência para combater e punir a contrafação. Todos conhecemos a ASAE e a agressividade com que trata e pune muitos comerciantes que nos tentam mentir.

A Contrafação seduz. Seduz e é tentadora. É difícil resistir-lhe e temos dificuldade em distingui-la do produto original. Muitas vezes até pensamos que o produto contrafeito tem mais qualidade que o outro. E até pode parecer, mas não deixa de ser contrafação. A ASAE vai combatendo como pode e, com virtudes e defeitos, a verdade é que tem ganho muitas batalhas e a contrafação tem ficado reduzida a pequenos nichos de mercado. 

Não queria escrever sobre isto, mas a urgência impôs-se. Não gosto de ver os meus amigos e os meus concidadãos a comer todos os dias gato por lebre. Porque, bem pior do que os produtos contrafeitos que nos enchem a vista e o desejo, é a informação de contrafação que todos os dias nos entra pela televisão. É por isso que defendo uma espécie de ASAE para o jornalismo e para a política em geral.

Limito-me a dois exemplos concretos sabendo que poderia mencionar algumas dezenas ou centenas: A educação e a saúde. 

Nas últimas eleições votámos em força em produtos de contrafação e apoiámos alguns falsificadores que nos venderam gato por lebre. O produto era tentador e sedutor. Não lhe resistimos e comprámos contrafação. A extrema direita especializou-se em vender barato produtos contrafeitos. 

Todos os canais de televisão e de informação contrafeita, assim como muitas redes sociais, nos conseguiram convencer:  Porque a saúde é essencial e sem ela não podemos viver, votámos em partidos que defendem a extinção do SNS.

Porque a educação é fundamental e sem ela não poderemos alimentar algum sonho de uma vida melhor, com melhor emprego e melhor salário, votámos em partidos que defendem a extinção do Ministério da Educação. Nenhum mercador alguma vez atingiu tamanho sucesso com produtos contrafeitos.

É por isso que defendo uma ASAE para a comunicação social, especialmente, televisões e redes sociais. Um dia poderemos precisar de mandar os nossos filhos para a escola pública e ela já não existe. Um dia poderemos precisar de entrar num hospital do SNS e também já não existe.

Um dia precisaremos da democracia, mas a boca ficará fechada, porque venceu a extrema direita.

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