A escola cobaia

A irracionalidade irrompe pelas escolas, sem olhar a extremas. Por aqui me sirvo e quero, posso e mando. Os alunos são cobaias fáceis e dóceis e os professores, espantalhos, abanando os braços, esqueletos vivos, duma instituição em ruínas. É a escola cobaia.

Quem frequentou e interiorizou o sentido da escola, há dez ou vinte anos, aluno ou professor, esqueça tudo quanto aprendeu. Essa escola não existe mais hoje. Algumas vão resistindo enquanto podem, enquanto outras se transformam em laboratórios de falsa ciência e passerelles de vaidades.

Arrogância. Ou talvez só ignorância. Cavalos à solta num deserto de valores. Sem freios nem arreios nem mãos numa soga que lhes prenda o pescoço e os faça recuar. Não recuam. Avançam, petulantes e egocêntricos e arrastam consigo, à revelia da razão, a vontade dominadora e destruidora de uma escola que se fez para aprender e não para palcos de mentes loucas e depravadas.

Vendem gato por lebre. Servem fast food e vendem hambúrgueres recheados de gorduras travestidos de rosbife. É a escola que alguns querem. É a escola que nos querem impor. É a escola da inovação. A escola da vergonha. Mudam currículos, mudam disciplinas, trocam-se perfis de alunos, encenam-se engenharias inovadoras, como se pudessem construir um arranha-céus com legos ou com cartolina, colada aos cubos.

Mudam os governos, mudam os ministros, mudam os diretores, mudam as aparências, mas todos comungam do mesmo ideal de falsa inovação, fabricada na ignorância arrogante e sem alternativa. Nenhum país, nenhum povo e nenhuma comunidade mantenha viva a esperança do saber e a esperança da escola como catapulta social. Tudo é ilusão, nada mais que ilusão, manipulação e vaidade.

Nunca defendi rankings de escolas. Mas nunca poderemos dizer que desta água não beberemos. Hoje, defendo esses rankings como a melhor arma de arremesso contra os vendedores de banha da cobra da escola pública. Porque não conheço escolas públicas, aquelas escolas sempre muito inovadoras, inovadoras até à exaustão, que se possam orgulhar de exibir o seu lugar de honra no ranking das outras escolas. Pelo contrário, sempre que podem, omitem-no ou tentam relativizá-lo.

O argumento do meio social desfavorável para justificar o insucesso inovador já não pega. O meio faz-se dentro da escola. Uma escola competente, assente em bases sólidas de trabalho, leitura e estudo é capaz de superar todos os meios desfavoráveis. A inteligência não é fruto do meio e só se desenvolve em ambientes escolares sérios.

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