Porra, mas não foi decretada a proibição do uso de telemóveis nas escolas? Foi ou não foi, senhor Ministro? Foi ou não foi, senhores diretores e diretoras? Foi ou não foi, senhora Mariana Carvalho? Foi ou não foi, senhor Filinto Lima? Foi ou não foi, senhor Manuel Pereira? Foi ou não foi, senhor Domingues Fernandes?
A escola é uma mistura de muita fruta. Grande parte dela imprópria para consumo. O senhor ministro é mais parecido com uma bela casca de maçã: brilhante por fora, mas podre por dentro. As direções das escolas formam um belo cestinho de romãs. Fruta afrodisíaca, mas azeda e, tantas vezes, intragável. De resto, podemos considerar tudo um imenso bananal.
Um pântano de bananas. O senhor Ministro e as direções das escolas nunca sabem de nada. Às vezes enerva ter de trabalhar nestas escolas. As associações de diretores e de encarregados de educação também nunca sabem de nada. Especialmente quando mais lhes convém dizer que não sabem, nem podiam saber.
Um bananal. A escola das bananas. Pergunto pela última vez: foi ou não foi proibido o uso de telemóveis nas escolas? Vão demorar três meses a responder, como fez o Ministro da Educação ao jornal Público? Ou estão a pensar responder só depois de outra reportagem de um outro qualquer jornal? Ou estão a pensar que ainda podem usar da cretinice habitual de dizer que não sabiam de nada?
Posso ajudar? Pode parecer arrogância ou presunção. Afinal, sou só um professor promovido a operário. Se não levarem a mal, fiquem sabendo que as vossas leis e decretos são lixo. Bananas podres. Lixo. Ninguém vos liga nenhuma, e vocês também não querem saber disso para nada. Os telemóveis são da fruta mais consumida em muitas escolas. Sim. Consumidas por crianças que frequentam níveis de ensino abaixo do nono ano de escolaridade. Sim, são consumidas por crianças com 10, 11 ou 12 anos.
Sim. Continuam a usar telemóveis nas escolas. Sim. Continuam a fazer TikToks dentro do recreio da escola. Sim, continua a prática do bullying digital, como sempre existiu antes do lixo legislativo decretado para os alunos não cumprirem. Sim. Continuam a usar redes sociais dentro da escola. Sim. Os alunos já compreenderam há muito que não há consequências. E a ausência de consequências no incumprimento é das mensagens mais devastadoras que podemos transmitir aos alunos numa escola. Em casa é a mesma coisa.
Acredito que desconhecessem, e também sei que os professores já têm pouca autoridade para ensinar e educar. Pelo menos ainda podemos informar. Ficam informados. Faço questão de informar, porque não gosto muito de bananas.

