Gostava de Pedir ao Pai Natal que não me chamassem de radical. Era a melhor prenda que poderia receber. Em criança, gostei muito de umas castanholas, compradas na feira dos 24, na Memória, e que faziam um ruído horrível quando eu rodava aquele maquinismo rudimentar. Todos fugiam de mim. Gostava que as minhas palavras não … Continuar a ler Donos disto tudo
Categoria: Sem categoria
O amor
Estudei 5 anos na congregação religiosa católica dos Irmãos Maristas. Sou ateu, mas guardo as melhores recordações da educação que aí recebi. Muitos dos meus princípios morais e éticos, fundamentais no meu crescimento como ser humano, foi dos Irmãos Maristas que os recebi. Hoje, os tempos são outros, e sinto-me na obrigação de comungar com … Continuar a ler O amor
Lavrar o chão da vida.
Enquanto criança, lavrei muita terra com o meu avô. O meu pai nunca foi dado à terra e preferia outros trabalhos que complementava com o gosto e a necessidade de leitura. Penso que sou o resultado da aliança entre a terra e os livros. Devoro páginas e puxo as folhas com o dedo como o … Continuar a ler Lavrar o chão da vida.
Reconhecimento
A escola que fez de mim professor não era a escola ideal, mas só lhe retirava o sistema de retenção e pouco mais. Acrescentava alguns detalhes, porque os tempos também são outros. Era uma escola onde se trabalhava e se aprendia. As competências adquiriam-se em casa e com a experiência da vida. Enquanto aluno, a … Continuar a ler Reconhecimento
Não tens saúde?
Aquela que viria um dia a ser a minha avó materna, morreu de parto, assim como o bebé que deveria ter dado à luz. Aquela mulher que viria a ser um dia a minha mãe tinha 12 anos. O meu avô, tomando consciência da gravidade da situação, pediu a alguém que fosse chamar um médico. … Continuar a ler Não tens saúde?
São os tempos
Mais uma razão. Os tempos são o que são e talvez seja o tempo dos filhos educarem os pais. - Stor, há mais indianos na Marinha Grande do que nós. Muito mais. - É verdade, é verdade, parece que há muito mais. - Stor, se o stor reparar, quando alguém atravessa a rua é sempre … Continuar a ler São os tempos
O porquinho milagreiro
Anda por aí um bicho à solta a oferecer porcos. Porquinhos. Porquinhos mealheiros. Ah, sim, é verdade. Sacos cheios deles, de porquinhos. Eu gosto mais de leitão, mas parece que não enche tanto a barriga dos pobres. Penso que desta vez os pobres vão ficar com a barriga bem cheia. De poupança. Finalmente os portugueses … Continuar a ler O porquinho milagreiro
A escola ou a poupança
É uma afronta. Uma provocação. Isto não se faz. Não se brinca com a pobreza. Os pobres merecem respeito. Os pobres são pessoas dignas como qualquer outra pessoa. Não é a riqueza que produz a dignidade. Não se pode dizer aos pobres que são pobres porque não sabem poupar. A pobreza reina nas escolas. Há … Continuar a ler A escola ou a poupança
Alerta vermelho
Fui apanhado de surpresa. Não sabia que poderia ser tão perigoso encontrar uma mulher de burca ao virar da esquina. Uma mulher vestida com burca é muito perigoso. Muito mais perigoso do que uma mulher ocidental de cuecas a fazer compras. Ou nua na praia. Convém estarmos sempre prevenidos antes de abrirmos a porta para … Continuar a ler Alerta vermelho
A cura
Talvez tenha errado a profissão e o sentido da minha vida profissional. Deveria ter sido médico. Os médicos têm privilégios que, provavelmente, desconhecem ou que não consideram como privilégio. Os professores não. Por isso, em algum momento da minha vida, devo ter tomado a estrada onde a circulação de pessoas é mais terrível. A estrada … Continuar a ler A cura
