Resumo a avaliação de professores nesta história das amêndoas de Páscoa.
Chegava a Páscoa e a inevitável visita pascal do senhor prior. Portas abertas com as casas a cheirar a cal no exterior e a cera no interior.
O séquito de leigos que acompanhavam o senhor pároco da aldeia, enquanto este entrava para recolher o envelope e, às vezes, beber um cálice de lágrima de cristo, ficavam na rua e atiravam para o chão de terra e cascalho uma meia dúzia de amêndoas. A criançada, que acompanhava sempre este movimento todo, e eram muitos, atirava-se para o chão como leões às suas presas. Empurrões e socos e pontapés para ver quem conseguia apanhar mais amêndoas. As amêndoas eram poucas e de fraca qualidade e a criançada era muita. Nunca chegava pra todos.
O prior, é o ministro da educação. Os acompanhantes são os seus secretários e amigos e a criançada são os professores. As amêndoas são os muito bons e os excelentes que sobram para os que sabem dar mais socos e empurroes aos colegas. Os que não conseguem apanhar amêndoas são os que ficam nas listas de espera e fora das quotas.
E está explicado. Uma guerra onde ninguém ganha nem fica bem na fotografia mas com o objetivo cumprido. Instalar a guerra e divisão nas escolas, colocar uns a lutar contra os outros, dividir pra reinar e tudo muito barato a troco de umas amêndoas sarnosas mas que ainda brilham para alguns mesmo no meio do chão poeirento. O senhor prior vai-se embora, carteira mais cheia, e as crianças lá ficam a lamber qualquer coisa e à espera que na próxima porta consigam ter mais sorte.

Que bela analogia! Claríssimo!
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