A digitalização da porra

Mandei imprimir umas t-shirts “RESPEITEM-NOS, PORRA! As televisões gostaram. Quase em desespero de causa. Um professor também é Homem!

Muitas foram penduradas frente à escola e quase todas foram roubadas. Sobraram duas ou três. É que hoje apetece-me mandar pra porra o ministro da educação e todos quantos se reclamam seus amigos. Ainda são bastantes. Mau feitio? Pode ser que seja, lamento, mas não merecem outro tratamento. A digitalização da escola, os exames e provas digitais, os manuais digitais, as avaliações digitais. Querem o quê mais? Professores também digitais? alunos digitais?

Um aluno não escreve uma frase, muitos nem uma não frase. Outros não lêem uma linha e muitos nem uma palavra, alguns nem uma palavra com letras decifráveis, mas fazem provas digitais. Alguns nem os algarismos e muito menos os números sao reconhecíveis. 

Eu não sou contra determinada e específica digitalização, mas não tenho orgasmos  com o digital como o senhor ministro e quantos se ajoelham e batem palmas à sua passagem. Primeiro que se ensine e ajude os alunos a saber ler e escrever, é o mínimo, e depois, depois pensem então em coisas digitais. Ele, o senhor ministro, dizia ontem na comissão de educação no parlamento ” Se deixarmos o digital de fora, só os ricos terão acesso ao digital no futuro”. Demasiado profundo para um ministro!

E se não ajudarmos e ensinarmos um aluno a escrever e ler e interpretar corretamente, o que é que acontece? E se acabarmos com os programas das disciplinas, tal como fez, e introduzirmos aprendizagens essencias, tipo o low cost da educação para os pobres, tal como fez, o que é que acontece? E se não os ensinarmos a pensar? 

Chateia e ofende ter um ministro da educação que pensa que os professores são todos parvos e não se preocupam com os alunos. Coitadinhos dos alunos, ele é que sabe, ele é que é bonzinho, ele é que pensa no futuro dos meninos pobrezinhos. Deixai vir a mim as criancinhas! eu digitalizo tudo e, agora sim, meninos pobres, podeis competir com os meninos ricos, digitais do futuro.

4 opiniões sobre “A digitalização da porra

  1. A Fábrica de Cretinos Digitais” – Michel Desmurget
    Pág. 107
    “Em suma, o que todos estes dados confirmam é que, quando colocamos um ecrã (computador, tablet, smarphone, etc) nas mãos de uma criança ou de um adolescente, é quase sempre a utilização recreativa mais debilitante que prevalece e ultrapassa as práticas virtuosas. Uma conclusão que confirma, se tal ainda fosse necessário, os dados do famoso programa internacional «um computador portátil por criança». O objetivo consistia em fornecer às crianças desfavorecidas computadores low cost, na esperança de que isso tivesse impacto positivo nas suas competências académicas e intelectuais. (…) Avaliação após avaliação, os investigadores viram-se obrigados a admitir que este projeto dispendioso não teve qualquer impacto nas competências académicas e cognitivas das crianças. Em muitos casos, os resultados até se revelaram negativos, preferindo os beneficiários (e ninguém se surpreenderá) utilizar os computadores para se divertirem em vez de trabalharem.”

    É isto…

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