computadores portáteis, ou a sombra deles. (parte 2)

Não sou grande admirador das correntes pragmatistas de um John Dewey, William James ou Habermas, mas tenho de me render às evidências numa escola pejada de líricos ou sonhadores ou, simplesmente, manipuladores. Num país de Pintos Moreiras e de muitos Vortexs, queriam subjugar os professores às ordens e à arbitrariedade de gente pouco séria, alegadamente, corruptos, como são muitos presidentes de câmara. A municipalização da escola ou essas tretas de meia tigela. Não conseguiram, ainda. Os professores não se renderam e também não se devem render à manipulação da opinião pública, convencida que com 700 milhões de euros as escolas estão a transbordar de computadores e se os professores não os usam é porque não querem. Digitalização das escolas, o Oráculo de Delfos, o “omphalos”, o centro do universo. Mais de um milhão de computadores! Onde é que eles estão?

Seguramente, na escola, não. Ou estarão alguns, muito poucos. Como vivemos e trabalhamos em escolas com um modelo de gestão absolutamente autocrático, maquilhado de poesia e palavras mansas e sedutoras, as opiniões dos professores pouco ou nada contam. É assim que funciona a ditadura e o modelo do chefe, o diretor. Diretores, que os há bons, mas por serem tão poucos também pouco contam. Caso contrário, não assistiríamos a esta desastrosa má gestão dos recursos que deveriam ser diponibilizados na escola e não dados, de mão beijada, aos alunos ou às famílias. Esperneiem e dêem pontapés com força porque factos são factos. As escolas não estão munidas de computadores para os professores agarrarem nas turmas e trabalharem numa sala com um computador por aluno. Os computadores jamais deveriam ter sido dados aos alunos. Os computadores deveriam ter sido dados às escolas e deveriam ter equipado salas com eles, sempre prontos e disponíveis a funcionar quando necessário. Por aqui, talvez pudesse começar alguma digitalização ou informatização da escola. Não somos nós, professores, que não damos valor ao que temos. O que temos é que não sabe valorizar os professores. 

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