aconteceu numa aula de História.

Estávamos numa aula de História, alunos do 6°ano. Falávamos da Primeira República e das medidas tomadas na educação e cultura. Lia-se “O Homem vale sobretudo pela educação que possui.” Lancei um desafio à turma porque sei que eles gostam de desafios e eu também. Concordam? Peguem na vossa caneta e no caderno diário e escrevam tudo o que vocês consideram importante sobre esse assunto. Concordassem ou discordassem, só havia uma regra: fundamentar todas as afirmações apresentadas. Eles escreveram e até fundamentaram alguma coisa mas foi a muito custo que se decidiram pegar na caneta. Aquilo não era assunto que os motivasse muito. Falei, expliquei, dei exemplos, mostrei vídeos, mas, bastante desanamidador. “Ó stor porque é que nós não podemos aprender isso com jogos?” Jogos. Respirei fundo. Jogos. A escola lúdica. Eu sei que Platão e Santo Agostinho já falavam da importância da brincadeira na aprendizagem. Mas como iria eu explicar com jogos e brincadeiras que o Homem vale sobretudo pela educação que possui?

A culpa é daquelas crianças? Não, porque alguns até se esforçaram para escrever alguma coisa. A culpa é nossa. Nossa, salvo seja, porque os principais responsáveis moram em Lisboa e outros por este país fora. Culpados porque estão a transmitir todos os dias na escola a ideia que tudo é fácil e todos têm sucesso. 

Eu também luto pelo sucesso dos alunos. Todos os professores o fazem porque o que mais querem e desejam é o sucesso dos alunos. Mas nunca numa escola de brincadeira. 

Admito que esteja errado, mas tudo ou quase tudo o que aprendi na escola, foi com esforço.

2 opiniões sobre “aconteceu numa aula de História.

  1. A Fábrica de Cretinos Digitais” – Michel Desmurget
    Volto a transcrever um excerto do livro. As conclusões e reflexões do autor são fundamentadas em estudos científicos.
    Pág. 135
    Conclusão de um estudo realizado pelo Departamento de Educação dos EUA:
    “… se um aluno for «mediano» e o colocarmos diante de um qualquer software «educativo», na melhor das hipóteses, permanecerá mediano e, na pior, fragilizar-se-á. Agora, se colocarmos esse mesmo miúdo ante professores competentes e bem treinados, ele progredirá significativamente e acabará entre o terço de melhores da sua turma.
    (…) A síntese do último relatório PISA dedicado a esta questão sublinha-o explicitamente. Segundo esta investigação, os «professores constituem o recurso mais importante nas escolas hoje em dia …» “
    Na aula de História um aluno preferia um jogo (software educativo …) mas estava perante um professor que o fez pensar, refletir, escrever, fundamentar…
    Não está errado colega Agostinho. Na minha opinião, está cheio de razão. Einstein (ou terá sido Stubby Currence?) disse: “O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”.

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