Conheço o EPE. (Ensino de Português no Estrangeiro) Trabalhei lá 13 anos. No tempo em que o único portátil era meu e de um colega e amigo meu, comprados em Hong kong, em 1999, antes da passagem para a China.
A digitalização do EPE vai custar 17 milhões de euros em equipamentos informáticos, leia-se tablets. Afinal, o PRR não tem só muito dinheiro para os carenciados, também tem para entregar aos ricos. Na comunidade portuguesa no estrangeiro onde trabalhei havia cerca de 500 ou 600 alunos a aprender português. Sei que no dia 21 vão ser ali despejados centenas de tablets. No entanto, todas as escolas já tinham um computador por aluno e em 2016 todos os alunos estrangeiros que o solicitassem já tinham um tablet para facilitar a compreensão das aulas em inglês. O tablet estava equipado com software de tradução. Ao contrário de Portugal, equiparam as escolas com computadores para todos os alunos e gastaram muito menos dinheiro. Em Portugal, nas escolas portuguesas, a digitalização não contempla um tablet com software de tradução para ajudar os alunos estrangeiros e professores a entenderem-se. Vi muitos alunos portugueses no estrangeiro, de tablets na mão, a dialogar com colegas ingleses e polacos. Aqui, nada. Aqui, preferem dar de mão beijada portáteis low cost aos alunos e, se os quiserem usar na escola, têm de os carregar às costas de casa e com muito poucas possibilidades de carregar as baterias na escola. E, não esquecer, os alunos raramente têm aulas na mesma sala. Parece que não mas faz muita diferença.
Tenho muitas dúvidas que não seja a continuação do esbanjamento desnecessário, inútil e sem retorno. Afinal, se todas as escolas já têm esses equipamentos, porquê e para quê gastar mais esse dinheiro com quem não precisa? Em Portugal, parece que há dinheiro para tudo exceto pagarem o que devem aos professores, e não só.
Já conhecemos quem oferecesse microondas, torradeiras e secadores de cabelo. Será a repetição da mesma triste cena?

A “generosidade” dos responsáveis no ME por esta “festa” de bugigangas para os alunos das escolas nacionais e EPE tem de ser acompanhada com atenção.
Certamente, tardiamente, como habitualmente, se saberá quem “arrecadou”.
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