Em Coimbra, pelos professores.

Só luta quem acredita. E ninguém luta pelo prazer que a luta dá. Gostaria muito de voltar aos tempos antes de 2008 quando sentia na escola um ambiente de camaradagem e de partilha de experiências. Da sala de aula e da vida. Tudo mudou depois desse ano quando se iniciou a galope um ataque cerrado a tudo quanto era função pública,  professores severamente incluídos. E nunca mais a escola voltaria a ser a mesma coisa. Não me refiro a inovações pedagógicas, ou projetos ou tecnologias. Isso, ao contrário do que muitos pensam, sempre existiu. Esta dita inovação pouco ou nada tem de novo por mais voltas que queiram dar. A única coisa nova foi a proletarizacao da profissão docente. O último ataque é proibir professores de poder fazer greve, ao abrigo de um chamado colégio arbitral que, a pedido do senhor ministro, declara ilegalmente serviços mínimos. Três vezes consecutivas declarados ilegais pelo Tribunal da Relação. O que mais lamento nos colegas Diretores é que aceitem pactuar com estas ilegalidades. O argumento de cumprir ordens não é válido. Só cumpre quem quer. Só manda cumprir serviços mínimos ilegais quem quer. Ninguém é obrigado a obedecer a ilegalidades. 

O Primo Levi dizia:” ditadores sempre houve na História e continuará a haver, mas não são esses os mais perigosos. Perigosos são todos os funcionários burocratas sempre zelosos em fazer cumprir ordens”.

Acredito que é possível o regresso a uma escola onde não seja preciso discriminar professores na avaliação de desempenho, onde os diretores tenham tempo e disposição para falar com os professores, onde os colegas não se empurrem uns aos outros para mostrar que são melhores para progredir mais rápido. Uma escola em saudável convivência e onde todos possam ser ouvidos e respeitados. Uma escola onde se ensine e se respire valores democráticos. Foram estas as razões que me motivaram a estar ontem em Coimbra a protestar. E eu acredito.

2 opiniões sobre “Em Coimbra, pelos professores.

  1. Essa escola de que fala, nunca a conheci… Já entrei em modo “pântano” num outrora, lago… A escola onde ser quis pertencer, enquanto aluna, não existe para mim, como professora.
    A desilusão é enorme…

    Cada vez mais entristecedor, este cenário. Quanto mais descubro, menos acredito nessa miragem.
    Louvo a sua fé.

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