Reprovar ou isenção de coima.

Nos países europeus mais desenvolvidos não existe um sistema de retenção de alunos na escolaridade obrigatória, ou evitam e é incomum reprovar um aluno.

E como é em Portugal? Sou professor há muitos anos e não consigo dar uma resposta satisfatória. Arriscava dizer que não temos sistema nenhum. Nem de retenção nem de não retenção. E foi sempre assim? Não, não foi sempre assim. Já conheci regras bem claras sobre este assunto. Boas ou más, mas eram iguais para todos, do Minho ao Algarve. 

Ideias brilhantes, de senhores também brilhantes criaram uma coisa que se chama autonomia e flexibilidade. Dois nomes pomposos com gravíssimas consequências para os alunos. E até para os professores. Mas é bonito. Do género: no concelho de Lisboa podes circular na estrada sem limite de velocidade e não te acontece nada, mas no concelho de Leiria, por exemplo, se fores apanhado a exceder a velocidade, pagas coimas e bem grandes. Pois é o que se passa nas escolas em Portugal. Só há uma diferença. É que não é por distritos ou concelhos. É de uma escola para outra, logo ali ao lado. Isto é: na escola onde reprova um aluno, na outra escola ao lado, esse mesmo aluno nem um nível negativo teria a qualquer disciplina. Portanto, não reprovava. Não pagava coima.

Qualquer pessoa, dotada de senso comum, pode avaliar esta questão como sendo realmente chocante. E é, de facto, chocante. Diria até mais: Escandalosa. No final deste ano letivo, pude constatar que houve alguns ciclos de ensino em escolas e turmas onde não reprovou um aluno e houve outras onde reprovaram muitos. E não foi porque numa escola são mais inteligentes e mais trabalhadores do que noutras. 

Autonomia e flexibilidade. Ou a “balda.” Há alunos que pagam coimas e há alunos que podem circular livremente isentos de qualquer pagamento. 

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