“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência…”
É o que diz a UNICEF e todos temos e devemos concordar. Será assim na realidade? No mundo real? Não! Nem todos nascem livres, ou uns mais do que outros; nem todos nascem com a mesma dignidade ou o mesmo direito a ela e nem todos são dotados nem da mesma razão, nem da mesma consciência. Que fazer, então, para conseguir algum equilíbrio? Facilitar? Mostrar que é fácil o que na verdade não é? Mostrar sucesso onde ele não existe?
As escolas, por determinação superior e, com pouca ou nenhuma contestação, estão a fabricar sucesso onde ele não existe. Nenhuma escola pode realizar o milagre do sucesso por melhores que sejam as intenções. Não podemos nem devemos dizer a um aluno que ele conseguiu aquilo que ainda não conseguiu e alguns nunca conseguirão, porque todos somos diferentes. A avaliação dos alunos constitui, hoje, um enorme desequilíbrio na inclusão. Não basta dizer a um aluno que ele é bom. Ele tem de conseguir provar que é bom naquela matéria. E no seu próprio interesse. Caso contrário, estamos a descriminar. Se queremos mais igualdade e mais e melhor inclusão, não é pela via do facilitismo, mas pela via da exigência. Do trabalho. Do esforço. Da disciplina.
Não podemos dizer a um aluno que ele é bom nadador se não sabe nadar. Não podemos pedir a um aluno que se atire ao mar se sabemos que ele não sabe nadar. O mais certo e, mais cedo ou mais tarde, é poder afogar-se.

Uma grande parte dos professores cede ao facilitismo. Estão a enganar os alunos e os pais. O Ministério não se importa de ser enganado. É ele que pressiona e pede sucesso. Falso sucesso. Não importa se efetivamente os alunos aprenderam.
Guilherme d’Oliveira Martins escreve no prefácio do Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória: “O que distingue o desenvolvimento do atraso é a aprendizagem.”
Eu prefiro ao contrário: O que distingue o atraso do desenvolvimento é a aprendizagem.
Mas o facilitismo leva à aprendizagem? Como?
O estudo referido a 20 de julho na Iniciativa Educação,
(deixo o link: https://www.iniciativaeducacao.org/pt/ed-on/artigos/ciencia/alunos-de-professores-exigentes-aprendem-mais?fbclid=IwAR053exDSRVF0id-NvU2YOgJ6X4U4l8_a_1mKcTNjpncGkLd5Fv_hj_T0kU )
refere que os alunos de professores exigentes aprendem mais. O texto termina assim:
“Estas descobertas são consistentes com a ideia de que a exposição a elevados padrões de classificação aumenta o esforço do aluno e o envolvimento com a escola, e a mudança vai além da própria disciplina em que o aluno se encontra inscrito. Pelo contrário, padrões mais negligentes, com inflação de notas, diminuiriam o esforço do aluno, ocultando áreas em que os alunos poderiam ainda melhorar, influenciando assim as suas futuras escolhas académicas.”
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Obrigado Dália. Excelente!
Lamento muito que haja tanta hipocrisia na educação. Quem perde são os alunos e por isso lutamos.
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