Na apresentação do Orçamento de Estado para 2024 o Ministro das Finanças afirmou que os gastos com a Educação também iriam aumentar. Nada mais falso. Quando alguém se habitua a mentir, à força desse hábito, já não distingue o verdadeiro do falso. De 2004 a 2011 o dinheiro gasto na educação manteve-se sempre na casa dos 6% do PIB. Depois de 2011 nunca mais voltou a esses valores e fixam-se em 2021, últimos dados fornecidos pelo INE e Pordata, em 4,6% do PIB. Desde 2015 até hoje, nunca mais saiu da casa dos 4% do PIB. O Ministro das Finanças deveria, no mínimo, ter um pouco mais de respeito pela inteligência dos portugueses.
O Ministro das Financas também esclareceu que não pode gastar mais com os professores ou os médicos, porque isso implicaria gastos permanentes. Ou seja, para este Ministro e todos os outros, gastar mais nos recursos humanos não é investimento. Os recursos humanos são matéria prima descartável. Não é por acaso que todos nos queixemos da má qualidade dos serviços públicos em geral. Podemos barafustar que não vale a pena se não soubermos nos momentos certos mostrar um cartão vermelho ao governo.
Este desinvestimento nos recursos humanos, principalmente na educação e saúde é, e vai continuar a ser, uma das principais causas do nosso atraso europeu. Refelete-se nas coisas mais básicas do dia a dia. Por exemplo, na escola onde trabalho temos uma casa de banho de professores que são o verdadeiro espelho dos serviços públicos. Pior, só não sei onde. Na formação de novos professores, está a ultrapassar o escândalo. Quase diria que, à custa de qualquer indivíduo poder ser professor, ninguém quer ser professor. É a desvalorização total da escola pública e o desinvestimento na qualidade dos recursos humanos. Isto tem reflexos gravíssimos no progresso de um país e na qualidade de vida de todos os cidadãos. Se houvesse o Nobel da estupidez e da incompetência, seria sem dúvida português.


Um idiota é sempre um idiota a querer fazer os outros de idiotas.
Se o PIB aumenta, o que espera?
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Espera que sejamos todos parvos e ignorantes
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