Ontem, numa aula, pedi desculpa a um aluno com 11 anos.
O aluno, à falta de uma escola com salas de aula equipadas com os materiais necessários de trabalho, não tinha nem o manual de História, nem o caderno de atividades para praticar o que vai aprendendo.
Não é que fosse uma grande surpresa para o professor. Alunos sem os materiais de trabalho necessários para as aprendizagens na disciplina é absolutamente normal. O que não é normal é a turma toda ter consigo os materias básicos e indispensáveis para poderem trabalhar sossegados e concentrados sem ter de andar a pedir folhas e lápis e borrachas, essas coisas.
Mas ontem foi diferente. Há vários dias que os tenho tentado responsabilizar para não se esquecerem de nada e terem sempre na aula o que precisam. Já não era a primeira vez que aquele aluno não tinha os livros. Pareceu-me importante ser um pouco mais rigoroso e dirigi-me a ele com uma cara de poucos amigos. Os olhitos começaram a brilhar e cairam uma ou duas lágrimas.
Não era caso para tanto. Dei-lhe o tempo que precisou para me explicar calmamente por que razão não tinha trazido os livros.
– Stor, em minha casa chove muito lá dentro. Os meus livros molharam-se todos e estragaram-se, stor.
Pedi-lhe desculpa e prometi que lhe ia arranjar fotocópias.
Confirmei. Era verdade.
