Esta semana fui a um supermercado e, na hora de pagar as compras, deram-me meia dúzia de medalhas de plástico. Não fazia a mais pequena ideia para que serviriam aquelas insólitas medalhas. À saída havia duas caixas em acrilico transparente e deveria introduzi-las naquela que gostasse mais.
Uma dizia que ajudava os bombeiros e a outra era para comprar um bebedouro para uma escola onde só havia um para 800 crianças. Nao li o resto e não quis saber que escola seria contemplada, tamanha foi a vergonha que senti.
Se fosse para a escola onde trabalho, de pouco valeria o bebedouro, porque a água que sai de algumas torneiras, corre amarela com ferrugem durante uns bons minutos. Penso que, além do bebedouro, precisariam de mudar a canalização toda. Mas não foi isso que despertou em mim a sensação de vergonha. Além disso, espero que consigam adquirir esse valiosissimo bebedouro.
Em projetos MAIA e UBUNTU, o Ministério da Educação gasta milhões de euros. O retorno, é a revolta dos professores. Nada mais que isso. Coisas que nunca imaginei que pudessem acontecer numa escola à frente dos meus olhos. Projetos, que na minha opinião, só podem sair da cabeça de loucos. Não vou explicar o que é, não adianta. Poderia referir muitos outros projetos de utilidade nula, para não dizer nefasta ao interesse comum. O financiamento dessas bizarrices parece que vem da europa, talvez mesmo do PRR.
A vergonha nasceu aqui neste pântano de dinheiro público, impossível de lavar, tamanha é a sujidade que o envolve. O PRR e outras fontes nacionais e europeias conseguem jorrar dinheiro por todos os canais, exceto água por um bebedouro de escola.
Bem haja o supermercado que pensou na água para matar a sede a 800 crianças.
