BALANÇO. parte 4

O ANALFABETISMO.

A minha mãe nunca frequentou a escola e não adquiriu os saberes à saida da escolaridade obrigatória. Também não cumpriu com as aprendizagens essencias criadas pelo atual governo e nunca lhe ofereceram um computador portátil. 

A minha mãe lia na perfeição e escrevia com uma caligrafia que sempre lhe invejei.

No dia 15 de dezembro tive conhecimento,  através de um texto publicado no Diário de Notícias, que “70% das crianças nos países mais pobres são incapazes de ler um texto simples aos 10 anos”. O estudo foi realizado pela UNESCO.

Tenho agora a confirmação de que somos um país realmente pobre, embora não pareça. E senti-me um pouco mais aliviado, porque ninguém gosta de se sentir só. Eu tenho muitas crianças com essa idade que encaixam nesses 70%.

Não adianta pedir ajuda ao Ministro da Educação porque já conheço a resposta que me iria dar. A pandemia. A culpa era da pandemia.

Não é a pandemia, mas a epidemia da iliteracia na leitura que é um assunto muito sério e os professores já não suportam ouvir falar em escola digital.

Este governo vai deixar de ser governo mas deixa uma pesadíssima herança que nenhuma escola e nenhuma criança merecia.

Burocratizou, derramou legislação por todos os poros, encharcou as escolas com demagogias e retóricas da escola feliz,  com ubuntus e Maias e mindfulness e projetos e mais projetos, a escola são projetos, projetos lindos e uma tralha de coisas que ninguém entende. E as crianças, muitas crianças com 10, 11, 12, 13 … anos não sabem ler.

Já não sei se hei de ensinar História ou se hei de ajudar os meus colegas de português a ensinar a ler.

Estas crianças, ao contrário da minha mãe, vão cumprir com a escolaridade obrigatoria, vão certificar-lhes as aprendizagens essencias, e vão abandonar a escola sem saber ler um texto simples. 

2 opiniões sobre “BALANÇO. parte 4

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