O monstro

Só ficamos a conhecer o monstro que alimentamos depois de sermos engolidos. Tarde demais para uns e inútil para os que sobreviverem.

O Chega é um monstro que a propaganda da comunicação social alimenta, apagando todos os excrementos que esse mesmo monstro vai produzindo. Quem alimenta o monstro é a comunicação social. O monstro engorda com a propaganda da comunicação social. Sem propaganda o monstro definha e morre.

A História não engana ninguém. É uma ciência. Hitler dirigiu todo o ódio que emanava raivosamente da sua cabeça contra os judeus. No entanto, Hitler tinha antecedentes familiares judeus que sempre negou e a propaganda apagou.

Pelo caminho, pagaram com a mesma moeda, todos, em rigor, todos, incluindo padres, freiras, bispos, sociais democratas ou outros ainda mais liberais. Não foram só os judeus ou os ciganos que pagaram. Foram todos, desde que não fossem nazis. Ou deficientes. Para estes criaram o proprama T4 cujo objetivo era eliminá-los.

Hitler, usou e abusou sexualmente da sua sobrinha. Obrigou-a a práticas sexuais tão execráveis que, não encontrando outra alternativa de libertação do tio, se suicidou. A máquina de propaganda apagou e o monstro continuou vivo quando já todos previam que não resistiria a mais este escândalo. 

O chega, organização de gente racista, odeia pretos e pretas, e amarelos ou azuis, vermelhos ou cor-de-rosa. Odeia todos quantos não sejam da sua cor e da sua raça. Sim, eles dizem raça. Que a propaganda e a comunicação social esconde ou omite. É uma organização de gente racista e mentirosa. Gente perigosa. Sim, gente perigosa. Os monstros, bem alimentados, são todos perigosos. 

Também se alimentam de votos. Votos do povo. O povo tão sábio e sapiente que não assume que votou numa organização de gente desumana que cresce na mesma proporção dos berros,  berrarias e gritarias que vão vociferando dentro e fora do parlamento. É esta a educação que transmitem às gerações mais novas. Não é por acaso que a violência nas escolas tem aumentado de forma assustadora. 

O povo português deve gostar muito de berros e gritarias. Vamos começar todos a berrar em casa e nas escolas e em qualquer lugar e sempre que tenhamos que abrir a boca. Berremos todos. Com a berraria, a mentira e falta de educação e respeito talvez ajude a limpar Portugal. Não é isso que dizem?

PS. 

Quanto ao voto dos emigrantes, espero que moderem agora o discurso da emigração portuguesa de cérebros. Cérebros? parabéns aos emigrantes na Alemanha, onde o chega com 13% ficou bem abaixo dos resultados em Portugal.

8 opiniões sobre “O monstro

  1. Concordo em absoluto.

    Para falar a verdade, a violência nas escolas, por várias razões, já tinha começado muito antes deste fenómeno ventureiro. O que o chega fez foi aproveitar-se disso, e de todos os outros problemas igualmente graves na nossa sociedade, para justificar a necessidade de haver um partido que promete resolver tudo o que estiver mal, nem que para isso tenha de cortar partes do corpo a uns, expulsar outros e por aí fora a torto e a direito. O chega gaba-se de ser o único partido com coragem para dar pancada a tudo e todos. Ao fazê-lo, acordou as massas e acicatou-as com mais ódio, instigando-as, direta ou indiretamente, à violência. Está instalado o caos! Nada que Trump e Bolsonaro já não o tenham feito, e que querem continuar a fazer. O “modus operandi” é o mesmo.

    Por isso, vestiu o fato do super-homem do século XXI, usando um tom e uma linguagem debochada e de estilo jocoso, postura arrogante, tipo “macho man”, que fizesse acordar um instinto de vingança nos mais desfavorecidos, nos desesperados, nos que não têm sentido crítico, nos imaturos, nos que não têm voz e se sentem injustiçados e revoltados. E deu-lhes voz. Tal como os abutres, que pairam pacientemente sobre a vitima descarnada, não fez mais do que alimentar-se das desgraças dos outros prometendo acabar com o sofrimento, como um bom cristão e devoto deve fazer. Depois, quem não é sensível à santa trindade: Deus, Pátria e Família? Alguém disse que o diabo também se veste de Prada.

    Apesar de não darem a entender, não aceitaram ter ficado em terceiro lugar, por isso encheram o ego berrando que são os verdadeiros vencedores da última eleição e por isso julgam-se com o direito a partilhar poderes com a ligação vencedora pela eleição do povo! Desfraldaram a bandeira de que o chega acabou com o bipartidarismo em Portugal, querendo acabar com o socialismo e a esquerda e mais um par de botas, mas logo a seguir querem impor-se e fazer parte das soluções do partido vencedor, já só faltando dizer que querem suplantar a aliança vencedora, mesmo estando em terceiro lugar! Ora, o argumento é de que seria uma irresponsabilidade se defraudassem o seu milhão e tal de eleitores, mas imputando essa irresponsabilidade para o novo governo se este não aceitar dialogar ou negociar com o chega. Ai, poder, a quanto obrigas!

    Isto só me faz lembrar os regimes ditatoriais e autocráticos, por isso nem quero pensar no que o chega faria se alguma vez chegasse a ser vencedor numa eleição legislativa. Por agora, fico triste com o facto de um milão e tal de portugueses não saber o significado do 25 de Abril de 1974.

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  2. A nossa Paula tem toda a razão em tudo o que afirma, mas parece esquecer-se de um detalhe decisivo. A esmagadora maioria que votou no desventuras não o fez por concordar com a sua agenda nem com os seus anti-valores nem como o programa que até desconhece. Fê-lo por entender ser essa a única maneira que o sistema ainda lhe confere para exprimir o seu veemente protesto, a sua indignação, a sua raiva e impotência perante o interminável chorrilho de casos, casinhos e casões, de corrupção, injustiças, roubos, compadrios, descaminhos, assaltos, conivências e tantas outras excrescências. Eu nunca votaria naqueles cheganços, mas compreendo que muitos o tenham feito, ou seja, votaram no bota-abaixo, na desgraceira para deixar claro o repúdio pelo comportamento dos políticos e sus muchachos.

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    1. É verdade! Mas o facto é que votaram, e com isso deram o ouro ao ladrão!

      Mas pior do que isso, acho que votar em algo ou em alguém de forma gratuita e leviana só para fazer uma birra ou dar uma bofetada no(s) anterior(es) governos, pretendendo mostrar repúdio e revolta, mais valia estar quieto, ou então ser mais coerente e corajoso e dar o voto a quem já deu provas de lutas e conquistas para o país e para o povo, a quem tem ideias, argumentos, conhecimentos e um programa eleitoral mais sólido, estruturado e coerente. De resto, só posso sentir desilusão e até vergonha de saber que um milhão e tal de portugueses passou uma mensagem e deu um sinal de ignorância e de irresponsabilidade a outros, sobretudo aos mais novos que ainda não votam. Lamento, pois, esta atitude de desprezo para com a nossa História, a nossa identidade e pela dura e sofrida conquista dos nossos avós e pais pela Liberdade e Democracia no nosso país. Já que temos Liberdade, pelo menos saibamos usá-la com sabedoria e dignidade.

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