O mito do país dos brandos costumes é ficção. É mentira. Não somos melhores que os outros. Habituaram-nos a só sabermos olhar para o nosso quinteiro e desconhecemos o que se passa nos imensos campos por esse mundo fora.
Brandos costumes, uma ova é que somos de brandos costumes. A não ser para perdoar nos bancos dos tribunais aqueles casos que envergonham o país e os portugueses. Casos ocorridos no tempo do Senhor Cavaco Silva, do Senhor Paulo Portas ou do Senhor José Sócrates. Aí, concordo com os brandos costumes. Mas não é o que se passa nas escolas.
A violência nas escolas tem aumentado de forma assustadora. Os dados foram publicados recentemente e deveriam fazer corar de vergonha muito encarregado de educação. Qualquer aluno se sente à vontade na escola para maltratar física e verbalmente qualquer professor ou qualquer funcionário. Não há fronteiras na linguagem utilizada e as direções das escolas, de um modo geral, reagem de forma hipócrita, cobarde e cínica. O ónus da prova recai invariavelmente sobre o professor ou o funcionário. O aluno agressor é considerado e acarinhado como vítima.
Poucos dias depois de divulgados os dados da violência nas escolas, uma associação nacional de diretores escolares emitiu um alerta ao governo informando que as causas deste problema da violência se deviam à falta de paciência dos alunos e seriam necessárias na escola equipas para cuidar da saúde mental. A minha primeira reação foi de total estupefação.
Senhores Diretores, Senhores Ministros, Senhores Secretários de Estado e outros Senhores e Senhoras responsáveis pelo bem estar de toda a comunidade escolar nas escolas portuguesas. Os alunos agressores não estão mentalmente doentes. Os alunos agressores são alunos como quaisquer outros alunos que gozam de boa e perfeita saúde mental. Os alunos agressores não têm nem mais nem menos paciência que os outros, de agora ou de sempre. Os alunos agressores são simplesmente alunos agressores.
Os alunos agressores, são agressores, porque sabem que não sofrem consequências das suas agressões. Os alunos agressores, agridem, e agridem cada vez mais, porque sabem que ficam impunes. Porque sabem que a sua escola é o paraíso da impunidade. O sucesso de uns, paga-se com a impunidade de outros.
Vítimas desta política de impunidade somos todos nós. Especialmente a maioria dos alunos e dos professores, forçados a trabalhar em circunstâncias degradantes e desmotivadoras e que comprometem seriamente as aprendizagens dos alunos.

Numa escola da zona Oeste, os alunos quando agridem, vão passear até ao gabinete do(a) diretor(a) e saem de lá a rir!!!
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