Visitar um doente é ser ativista de uma grande causa. Ajudar alguém em dificuldade é ser ativista de uma grande causa. Não é vulgar perguntarmos, no momento em que ajudamos, se ele é de esquerda ou direita, se é católico ou protestante ou ateu. Ajudamos, voluntariamente, sem questionarmos as convicções do outro. Penso que todos concordamos com isto.
Um médico não questiona o doente se é do partido A ou do partido B ou se defende a Federação Russa ou os Americanos. O mesmo faz o professor que ajuda o aluno sem lhe perguntar se é Muçulmano ou Jeová ou Judeu ou se é Brasileiro ou de outra nacionalidade. Penso que existe consenso sobre isto e eu ainda acredito na bondade das pessoas.
O que já não entendo é que não possamos tentar defender os desgraçados dos mártires palestinianos sem sermos imediatamente confrontados com a questão, “então e os outros?” “Só eles é que precisam?” “E os Ucranianos?” E a lista seria interminável. Interminável, porque os focos de conflitos e desumanidades também se globalizaram.
Porque não podemos ser ativistas de todas as causas humanitárias, significa que não temos o direito de defender uma ou duas ou três sem sermos acusados de não defendermos as outras todas?
É a redução do dever ético e moral aos caprichos dos nossos gostos ou ao gosto daqueles que todos os dias nos invadem as nossas salas de estar a ditar o que está certo e o que está errado, o que é bom ou o que é mau, o que devemos ou não podemos fazer.
O que se passa hoje na Palestina não tem nada que se compare no mundo e a única questão legítima poderá ser perguntar porquê.
Acontece à frente dos nossos olhos, o massacre de seres humanos, a carnificina, os açougueiros, as valas comuns com provas de enterrados vivos, crianças, homens, mulheres a vegetar e a implorar um pingo de água e umas migalhas para sobreviver. À frente dos nossos olhos um povo reduzido a pó.
Ser ativista de causas humanas e humanitárias é uma missão ética, um dever moral e uma responsabilidade coletiva. E nunca poderá ser mais do que isso.


O direito à indignação perante a barbárie sanguinária nunca foi tão necessário como agora. Mas creio ser necessãrio ir mais longe e desmontar os apoiantes e as motivações. De entre estes veio agora o ministro Rangel afirmar que aquilo não é genocidio e que o reconhecimento do estado palestino, enfim, temos que ver melhor, colocando-se assim abertamente do lado dos perpetradores e seus apaniguados. Que posição tão inclivelmente repelente! Faz-me ter vergonha de ser luso.
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