A obediência feliz

O problema da educação em Portugal sempre foi um problema e a escola moderna e inovadora no nosso país lembra-me os monges copistas dos tempos medievais.  Copiavam e obedeciam ao que estava escrito, faziam umas iluminuras com letras muito bonitas, que só serviam o clero, e limitavam-se a reproduzir o que lhe ordenavam que reproduzissem. O povo continuava analfabeto e ignorante.

Hoje, temos uma escola de monges, com uma gestão de monges e com muitos professores monges. Com pequenas alterações arquitetónicas e a escola seria uma imensa ordem monástica onde cada um ocuparia a sua cela, muito semelhante ao dia a dia nos conventos e nos mosteiros medievais.

As ordens emitidas pelos ministros de qualquer governo chegam às escolas e são reproduzidas mais fielmente do que os textos bíblicos e as escrituras sagradas, que poucos entendem, mas cumprem só porque são ordens. Umas dessas últimas ordens ordena a realização de provas de aferição. 

Verdadeiramente, ninguém sabe para que servem, mas os conventos e os mosteiros recebem a ordem e reproduzem-na numa azáfama de meter inveja a muito monge copista. Uma mistura de um mundo real com um mundo de ficção. 

A verdade é que assistimos a um enorme desperdício de tempo e de recursos humanos e financeiros sem qualquer benefício, prático ou teórico, para as escolas, para os professores ou muito menos para os alunos. Pelo contrário, todos ficamos a perder, exceto nas aparências. 

Não será por acaso que se fala tanto das escolas e dos professores com espírito de missão. 

5 opiniões sobre “A obediência feliz

  1. Estava à espera da subscrição no CORRENTES para poder comentar o teu último texto no PÚBLICO. Finalmente acho que consegui.

    Uma grande inspiração e uma grande homengem ao Kafka, 100 anos.

    Tenho de te dizer que foste genial. Muito nível !!!! Eu sei o trabalho que é necessário para escrever assim um texto. Gostava que o Ministro ou o Cristo o lessem. Aquilo faz pensar, Paulo.

    ( Adorei o texto na totalidade, mas achei sublime aquele “seus” sindicato. Foste honesto e inteligente, das coisas que mais aprecio num homem)

    Os professores têm de estar gratos pelo teu trabalho. Por mim e pela Marinha Grande, um sincero obrigado.

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    1. Muito obrigado, Agostinho. Também gosto muito de ler o que escreves. Para comentar no Correntes não há burocracia. Vê isso bem. Aquele abraço e força aí.

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