A subserviência é uma forma inferior de escravatura. Em democracia, a subserviência é equivalente a uma ditadura. Com subservientes não há progresso. Subserviente é um cão. Um Homem não é um cão.
Nos últimos anos, no meu trabalho profissional nas escolas, o que mais tenho observado é subserviência. Agradar à autoridade. Servir o patrão sem questionar uma sílaba da palavra do patrão. E há muitos patrões e muitos subservientes. Legiões de uns e outros. Nenhum deles me agrada.
Seja por que razão for, e não pretendo fazer juizos ou julgamentos morais e, muito menos é minha intenção incitar à desobediência. Não se trata de nada disso. Mas observo, em situações de trabalho que, o culto do chefe, o culto do poder, o culto do iluminado, apaga o sentido humano do direito básico de opinião, sem punição. Olham para um pedaço de carvão aceso como se estivessem a contemplar a chama olímpica.
As razões são muitas e as causas muito mais. Acredito que ninguém seja subserviente por gosto. Com gosto ou sem gosto, todos temos a obrigação de combater essa praga. Trata-se, realmente, de uma espécie de praga bem organizada pelos chefes centrais, regionais e locais. Não é por acaso que, alguém iluminado, disse que o pai lhe tinha dito que quando o patrão lhe mandasse fazer alguma coisa, não fizesse só essa coisa, mas fizesse muito mais.
A ausência de democracia, liberdade de expressão e de opinião, sem constrangimentos, é um dos principais fatores que determinam a existência de organizações com sucesso e outras sem ele, medíocres. Não é por acaso que países onde predomina o pensamento critico e espaço de livre expressão de pensamento sejam eles os mais ricos e desenvolvidos.
Aos subservientes, resta-lhes a obediência cega, a estagnação e a condenação à pobreza ou estados e modos de vida que em nada contribuem para o bem comum.

“A lógica dos Burros – O lado negro das políticas educativas”, de Gabriel Mithá Ribeiro, autor do bestseller “A Pedagogia da Avestruz” (2003), já em 2007 escreveu sobre as coisas mais cruciais e profundas da realidade do sistema de ensino em Portugal, as mesmas, tantas ou até mais do que aquelas que hoje continuamos a questionar. As ideias reformistas, o experimentalismo e o casuísmo por muito bem intencionados que sejam, nunca são avaliados depois de postos em prática, pelo que têm ditado a falta de objetividade e de clareza sobre os meios a adotar para seguir uma política educativa que case bem com o que já foi feito e não se divorcie daquilo que é preciso fazer, coerentes com a realidade portuguesa e com o tempo em que vivemos. Por várias razões muitos são aqueles que ficaram reféns ora de um saudosismo salazarista autoritário, ora de um experimentalismo constante de políticas educativas que muitos países da Europa já provaram não resultar. Quer uns quer outros serão sempre “subservientes” e dependentes das energias fósseis, como a proveniente da combustão do carvão, um combustível fóssil a partir da decomposição de matéria orgânica morta e enterrada! Quando se segue cegamente os “especialistas” ou a academia das Ciências da Educação e uma máquina que dá pelo nome de Ministério de Educação, não se pode esperar que as pessoas façam as coisas certas porque resultam, mas porque alguém, que não sendo professor, disse ou escreveu o que é o melhor naquele momento, e por isso tem de ser aceite como universal. Não deixa de ser uma visão limitada, redutora e arrogante a de pensar a escola e o ensino sem os professores, os que trabalham no terreno, os verdadeiros especialistas na matéria.
A ideia de que a Educação não é para ser votada, ou seja, os cidadãos continuam a decidir que o mais importante é a Saúde, o Salário, a Reforma, etc., mas nunca a Educação, o que parece ter sido, até hoje, o grande equívoco, pelo menos a partir de 1997, com “Os Filhos de Rousseau”, de Filomena Mónica. No prefácio de Marcelo Rebelo de Sousa, este escreve “Os políticos, sensíveis aos votos, (…) compreenderam que a Educação é para prometer, generosamente – porventura apaixonadamente -, mas não para levar a sério.“, torna-se claro que é aos eleitores que compete levar a Educação a sério, e não aos políticos. Ora, se os eleitores escolhem democraticamente os políticos para representarem e servirem a maioria dos eleitores que os escolheram, das duas uma: ou os eleitores nunca escolhem os políticos certos, ou os políticos nunca estão certos (ou não lhes interessa) sobre o que os eleitores precisam e têm direito.
Assim sendo, e sabendo que os políticos também são eleitores e que os eleitores também podem ser políticos, na hora das opções e das decisões políticas, ambos viram-se para dentro dos seus círculos – partidos e governo – e “esquecem” que em democracia tem de haver pluralismo ideológico, debate público de ideias, participação democrática na tomada de decisões, liberdade de expressão e de crítica face ao estado das coisas que se passam. Como ainda há pouco ouvi na TV, kamala Harris dizia algo que se pode resumir da seguinte forma: nem sempre as portas se abrem para nós, por isso, por vezes, temos de “derrubar essas portas”! Como eu a entendo!
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… e como eu te entendo a ti!
Muito bom! Obrigado!
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