A educação em Portugal tem um sabor intragável. Sopas de cavalo cansado. Há quem prefira chamar-lhe sopas de burro cansado e gosto mais desta designação. País pobre, ignorante e salazarento. Política comum de todos os governos, desde a fundação deste país, é o menosprezo pela educação.
Pobre, porque nunca desenvolveram políticas agressivas de combate à incultura, à ignorância e ao reconhecimento da educação como condição fundamental de combate à pobreza e aos baixos salários.
Pobre, porque nunca os governos se empenharam em demonstrar que a educação é condição básica para a construção de um país mais moderno e mais desenvolvido. Nunca se empenharam na construção de escolas, considerando a educação como razão essencial no progresso e bem estar de cada indivíduo.
Na nossa História comum, foram muito fugazes os momentos em que os governos apostaram na escola e na educação e fizeram dela uma causa nacional. O ensino e o valor do conhecimento nunca estiveram, nem estão interiorizados como prioridades na vida de cada um e na vida coletiva de todos nós. A maior aposta foi em ministros e outros dirigentes sem escrúpulos, sem coragem e competência na elevação do nível cultural de cada indivíduo e na qualidade das escolas. Não tivesse sido assim, tambem não teríamos as escolas como temos agora.
A escola que eu conheço, hoje, é uma escola de sopas de burro cansado. Serve de alimento aos pobres, para gozo dos mais ricos. Muito se fala, e todos os dias ouço falar, em alunos desmotivados, alunos que não querem aprender, aprendizagens perdidas pelas razões mais surrealistas e na indisciplina e falta de educação, dentro e fora das salas de aula.
Visito escolas e, antes de entrar, já tenho vontade de sair. Escolas arquitetonicamente pornográficas. Despidas. Nuas. Por dentro e por fora. O exterior não se distingue muito do interior. Escolas feias. Frias. Desagradáveis ao gosto e à vista. Paredes velhas e sem qualquer sentido estético. Entramos numa sala de aula, olhamos e diríamos que poderia ser uma sala de qualquer outra coisa, não estivesse ela cheia, bem cheia, de mesas e cadeiras.
Mesas velhas, gastas pelo uso e pelo tempo. Mesas frias, feias, desconfortáveis e desagradáveis para nos convidarem ao trabalho. Mesas pequenas onde não cabe um caderno e um livro aberto lada a lado. Sentados em cadeiras de fórmica velha e descascada pelo uso. Cadeiras horríveis, frias, feias e desconfortáveis. Cadeiras ruidosas quando se arrastam no chão velho, a arrancar-se aos pedaços ou às lascas. Chão com fios elétricos enrolados e emaranhados. Fios que deveriam servir para ligar um computador quando ele funciona. Ruídos irritantes do arrastamento dessas mesas e cadeiras, à entrada, durante e no fim de cada aula. Mochilas no pouco espaço livre onde livremente deveria circular o professor e agora tropeça. Espaços horríveis e disfuncionais. Tudo convida a sair. Nada nos seduz a permanecer.
Alunos desmotivados. Alunos mal educados. Indisciplina. Ambientes desconfortáveis e irritantes. Escolas sopas de burro cansado, oferecidas em tigelas de porcelana, floridas pelos discursos do poder, daqueles que nunca lá tiveram os filhos. Pobres crianças das escolas do meu país.


Certo. Descontando o facto da generalização e do meter tudo no mesmo saco, temos de reconhecer que este retrato da escola é sim e tb o retrato do país. A escola sempre foi e é o microcosmos do país e da sociedade que temos e o comportamento da petizada é o comportanto dos pais e familia. Com pais assim, queriam o quê? Os miúdos fazem o que fazem, mas muitos pais são bem piores e bem sei do que falo. Os governantes dão xalentes exemplos. Oh lá se dão!!!!
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Sim, é verdade, generalizei. Mas conheço muitas escolas requalificadas que também não lhes reconheço muito mais qualidade. Há escolas com algum jeito de escola? Certamente, mas não conheço nenhuma. Os anos que trabalhei fora do país fizera-me perceber o que é realmente uma escola digna desse nome. Ainda não vi nada em Portugal parecido.
Se quiseres podes comprovar nestas escolas onde trabalhei:
Haute Vallée School
Le Rocquier School
Les Quennevais School
Grainville School
Todas escolas secundárias na ilha de Jersey, Channel Islands, equivalente às nossas desde o sétimo ao décimo segundo ano. (12 aos 16 anos)
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Sim, é verdade, generalizei. Mas conheço muitas escolas requalificadas que também não lhes reconheço muito mais qualidade. Há escolas com algum jeito de escola? Certamente, mas não conheço nenhuma. Os anos que trabalhei fora do país fizera-me perceber o que é realmente uma escola digna desse nome. Ainda não vi nada em Portugal parecido.
Se quiseres podes comprovar nestas escolas onde trabalhei:
Haute Vallée School
Le Rocquier School
Les Quennevais School
Grainville School
Todas escolas secundárias na ilha de Jersey, Channel Islands, equivalente às nossas desde o sétimo ao décimo segundo ano. (12 aos 16 anos)
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