Escolas campos

(Aviso: a leitura deste texto pode chocar pessoas mais sensíveis.)

As políticas de educação em Portugal desenvolveram nas escolas uma organização semelhante à politica  concentracionária nazi. Em todas as escolas poderemos observar alguns métodos de organização e gestão muito coincidentes. Com as devidas distâncias, arrepia, só de pensar. Quatro tipo de campos, para quatro tipo de escolas.

Os campos de concentração de transição:

São as escolas onde muitos professores são colocados e tentam fugir mais depressa delas do que o diabo da cruz. São escolas onde a democracia é tão respeitada que ninguém gosta de lá permanecer. Ao primeiro concurso, concorrem e tentam esquecer por onde passaram. O último concurso geral de professores foi a prova mais que provada. Regra geral, são escolas com diretores fracos, pouco competentes e desconhecedores da cultura democrática. Mesmo que não pareça. É nestas escolas que começamos a despertar para a realidade das ultrapassagens. Não é preciso ser competente, só importa ser esperto. Nestas escolas passa-se o tempo a matar o tédio e o medo porque nunca sabemos o que nos espera no próximo campo-escola. 

Os campos de concentração de trabalho: 

Talvez sejam as escolas de maior abundância. Muito trabalho para muito baixa produtividade. Finge-se mais e sabota-se quanto se pode. Tal como faziam os prisioneiros destes campos. Sempre que podiam, fingiam que trabalhavam muito e sabotavam o produto do trabalho. Era a única forma de sobreviver mais uns tempos. Questão de sobrevivência. Muitos projetos, muitos, muitos planos. Planos e projetos de tudo e mais alguma coisa. Muitas, muitas reuniões, muitos critérios, muitas inovações, muitas fotografias e vídeos e exposições. Muitas grelhas e muitas cruzinhas, muitas cruzinhas em excel. Uma constelação brilhante de cruzinhas. O diretor finge que está exausto e que é muito competente e conhece o ministro e toda a ordem de pedagogias. Os professores fingem que está tudo bem e os alunos ficam felizes e fingem que são bons alunos. Os encarregados de educação, quando muito, protestam contra os professores. Os culpados são sempre os trabalhadores, mesmo que trabalhem sem fingir.

Os campos de concentração de extermínio:

Não são assim tão poucas essas escolas. São geralmente locais onde pouco se ensina e pouco se aprende. Dedica-se mais tempo e despendem-se mais energias com avaliações e toda a espécie de experimentalismos do que o tempo dado às aprendizagens. Os professores não são respeitados e consideram-se simples instrumentos para justificação e certificação do sucesso. Todos têm sucesso, exceto eles, os professores. Costumam ter diretores vaidosos e prepotentes e muito pouco interessados em salas de aula. Muitos desenvolvem uma especial alergia a salas de aula. São escolas tão cinicamente modernas e democráticas que os professores só sonham no último dia em que têm de lá entrar. Nestas escolas desaprende-se tudo, até de conviver pacificamente. O ar costuma ser irrespirável e atinge-se o limite do fingimento. De escolas, pouco mais lhes resta que o nome. É o reino sombrio do medo e do silêncio. A anuência geral.

Os Subcampos:

São imensas as escolas subcampos e todas muito bem financiadas. Regra geral são geridas por privados, laicos ou por confissões religiosas, normalmente de tendência católica. Nunca se sabe muito bem o que se passa dentro delas porque funcionam como escolas protegidas e à margem de muita coisa pública. Não costumam aceitar ciganos, coxos ou aleijados, alunos que não gostem de aprender ou alunos que tenham nascido já com dificuldades de aprendizagem. Também não costumam aceitar invisuais ou alunos surdos. São escolas muito especiais, com um patrão que gere aquilo de acordo com os interesses privados mas à custa do dinheiro público.  Nestes estabelecimentos deveria ser permitido morrer de vergonha.

Em todas estas escolas alguma coisa vai morrendo todos os dias. O sonho de sair é sempre mais forte que a vontade de entrar.

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