60 autarcas. E a escola?

Aviso: Não precisam ler este texto até ao fim. Podem nem começar, ou terminar, antes de terem começado.

Foram 60. 60. Coisa nunca vista de uma assentada. 60 autarcas acusados de crimes de corrupção, ativa e passiva, ambos agravados, branqueamento, prevaricação, tráfico de influências, falsificação ou contrafação de documentos agravada e burla qualificada. Um deles, com 51 crimes.

Em 2023 – com início em finais de 2022 -, desenvolveu-se uma intensa e dura luta de professores, em defesa da escola pública. Não reivindicávamos, em primeira mão, aumentos de salários ou quaisquer privilégios. Exigíamos RESPEITO e DIGNIDADE. Se fosse hoje, acrescentaria HONESTIDADE.

Se alguém duvidava dos professores e das lutas por eles travadas, tem nestes 60 autarcas a prova da nossa razão. Já havia muitas provas antes. Muitas. Mas agora foram 60. 60 autarcas, alegadamente corruptos, candidatos a governar a escola dos nossos filhos. As escolas onde trabalham mais de cem mil professores e frequentadas por mais de um milhão de alunos.

Governos do Partido Socialista, do PSD e, agora, também do CDS, queriam, e ainda querem, entregar o governo das escolas às autarquias. Os restantes partidos de direita, nem vale a pena referir, porque todos eles gostariam de ver a privatização da escola pública.

A intensa luta dos professores, durante quase dois anos, exigiu de nós sacrifícios que só os sentiu quem os viveu. A nossa luta centrava-se, exatamente, contra as pretensões desses governos de entregar a gestão, ou parte da gestão da escola pública, às Câmaras. Se tivessem vencido, hoje, provavelmente, alguns daqueles autarcas teriam funções de gerência e ingerência numa qualquer escola pública.

E, se não temos conhecimento da existência de diretores de escolas públicas do calibre daqueles autarcas e de tantos outros já condenados, sabemos e conhecemos da conivência entre diretores e autarcas. Não a conivência em eventuais crimes. Não consta que tenhamos diretores de escolas corruptos. Mas a conivência de partilharem o mesmo ideal de gestão de escola pública.

A escola pública é dos professores e dos alunos. A escola pública é paga por todos os contribuintes. A escola pública não é dos senhores autarcas ou dos senhores diretores. É nossa. É de quem lá trabalha.

Senhores autarcas, dediquem-se à boa governação das vossas autarquias e deixem as escolas aos professores que lá trabalham. E os senhores diretores, respeitem os professores, governem democraticamente as suas escolas e deixem os autarcas em paz.

Nota: Gostaria de ter o seu filho numa escola pública governada por estes autarcas?

Uma opinião sobre “60 autarcas. E a escola?

  1. Mais uma vez o Agostinho tem carradas de razão. Creio até que os tais 60 não passam da pontinha do icebergue. Como a nova lei dos solos bem exemplifica, a clique e sus muchachos continuam apostados em engordar os já imensos poderes dos reizinhos locais. Só com a criação de um novo Provedor do Municipe dotado de amplos poderes executivos e dos necessários meios poderia colocar na ordem essa camarilha de oportunistas, isaltinistas e outros que tais.

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