Coitadinho, ele é diretor!

Para alguns especialistas em educação, ser diretor de uma escola, é uma condenação. O maior castigo que os deuses poderiam algum dia aplicar a um ser humano. É assim que pensam, génios como o senhor diretor Alberto Veronesi, Manuel Pereira ou Filinto Lima, entre muitos outros. Fica por explicar tanta fúria contra o abandono do lugar ou tanta ganância por um lugar novo numa escola nova.

Acusar professores do “bota abaixo” contra os diretores já é exceder os limites do razoável e do respeito que os professores merecem. Há limites, senhor diretor Veronesi e eu demonstro-lhe por que razão o senhor está errado.

Primeiro: Foram os diretores que apoiaram e apoiam, com garras bem afiadas, a criação e manutenção de agrupamentos e mega agrupamentos de escolas. Os senhores diretores não são diretores de uma escola. São diretores de um agrupamento ou mega agrupamento com dezenas de escolas agrupadas a uma escola sede. A escola do gabinete do senhor diretor.

Aceitar gerir o dia a dia de uma escola quando não se está, nem pode estar, nessa escola, é surrealista. E, aceitar que um colega seu, professor, possa lecionar com um horário letivo em mais do que uma escola, sem qualquer pudor pelo sacrifício exigido aos docentes e sem qualquer remuneração acrescida, esmaga qualquer sentimento de “empatia” que os senhores diretores ainda pudessem merecer. Ao contrário do que acontece com o diretor. Quantos mais alunos, maior o salário, não é verdade? Um diretor que aceite ser diretor de um agrupamento ou mega agrupamento, está condenado a ser medíocre.

Os senhores diretores pedem flexibilidade e descentralização, mas alimentam o despudor da centralização do seu próprio poder. 

Segundo: Sim, do “bota abaixo”. O “bota abaixo” deste modelo de gestão. Os professores querem, assumidamente, o “bota abaixo” deste modelo de gestão autocrático. Não aceitamos a concentração de poderes atribuídos ao diretor. Salazarento, bafiento e antidemocrático. Não aceitamos o desastroso défice democrático nas escolas. Não aceitamos o modelo de nomeação do diretor. Não aceitamos que a avaliação docente esteja subordinada à arbitrariedade ou à boa ou má vontade do diretor. Não aceitamos que o diretor nomeie coordenadores de departamentos. Não aceitamos que os conselhos pedagógicos sejam sessões de propaganda dos senhores diretores. Não aceitamos que o senhor diretor avalie o presidente do Conselho Geral. Não aceitamos a existência desse Conselho Geral.

Terceiro: Mais “bota abaixo”. Os professores do “bota abaixo”. “Bota abaixo” os senhores diretores que não conseguem o discernimento da injustiça e da falta de equidade na avaliação de alunos com critérios diferentes de escola para escola. Com critérios diferentes em cada ano letivo. Com critérios de avaliação de acordo com os interesses de sucesso de cada senhor diretor no seu domínio senhorial. 

Os professores do “bota abaixo”   que não aceitam que haja escolas com alunos neste país avaliados duas vezes por ano e outros três. Os senhores diretores acham inovador. Tudo quanto seja diferente, é inovador. Vaidade e provincianismo a todo o vapor. Se conhecerem outro mundo com estas arbitrariedades, apresentem-no. Escolas ao lado uma das outras com diferentes períodos de interrupções letivas, só na cabeça iluminada dos diretores deste país.

Os professores do “bota abaixo” que, ao contrário dos senhores diretores, não aceitam a ingerência das câmaras municipais no dia a dia das escolas, nem muito menos, qualquer ingerência na contratação de professores ou na gestão pedagógica.

Eu, assumidamente, “bota abaixo”.

7 opiniões sobre “Coitadinho, ele é diretor!

  1. Durante a pandemia construí um forno a lenha que assa muito bem leitoes e eu já lhe apanhei o jeito. Punha-ao a arder e durante uma semana ou duas não haveria de faltar leitão a sair do forno para todos os amigos.

    tinto ou branco, também não faltaria. E umas champanhes a estoirar as rolhas também não.

    Gostar

Deixe uma resposta para Rui Ferreira Cancelar resposta