A arte do fingimento

Quando fingires, finge de que estás convencido que não estás a fingir. Não finjas para fingir que finges. Faz com que o objeto fingido não se distinga do fingimento do objeto real. 

Por exemplo, a RTS (Recuperação do Tempo de Serviço congelado) foi real para alguns e fingida para outros. Finge que não sabes ou finge que sabes que ninguém sabe que  fingiu e que o objeto real não é fingido. Se não fingires nunca alcanças o objeto fingido. Se fingires também não, mas sabes que eles sabem que estamos todos a fingir.

Tens milhões de exemplos na tua escola. 

O aluno não compreendeu o teorema de Pitágoras. O aluno finge que compreendeu e tem negativa. O diretor finge que o aluno não fingiu e o aluno tem positiva. O professor finge que não sabe que o aluno e diretor não fingiram.

Nunca finjas que não sabes que eles sabem que estão a fingir. Tens de levar o teu fingimento ao limite. Só assim consegues fingir que não estás a fingir de que é tudo fingido.

Olha, o aluno violou uma colega, tentou agredir o professor e faltou ao respeito a tudo e a todos.

Não acredites, porque é tudo fingimento. O aluno fingiu que violou, o aluno fingiu que queria agredir e o diretor fingiu que não sabia e todos fingiram que não sabiam que aluno e diretor estavam a fingir. Tens sempre de fingir que não sabes que estão todos a fingir que não sabem. Quem sabe não finge e quem finge, finge que sabe e finge que não quer saber de quem sabe e finge.

A arte do fingimento é isso mesmo e não é para todos. É só para aqueles que fingem que não sabem fingir. Portanto, finge. Finge que não sabes fingir. Os diretores e os Conselhos Gerais também sabem fingir que não sabem fingir, por isso é que fingem. Quanto mais fingem, menos fingidos são. Quanto mais fingires menos fingido és. 

Todos fingem.

Finge o professor que o aluno é muito bom.

Finge o médico que está preocupado com o doente.

Finge o padre que quer salvar as almas.

Finge o diretor que trabalha muito e que é muito sério e democrata.

Finge o ministro que… bem, o ministro finge tudo.

Finge o pescador que o peixe é fresco.

Finge o trabalhador que trabalha muito.

Finge o patrão que não pode aumentar salários. 

Finge o aluno que estuda muito.

Finge o encarregado de educação que está muito preocupado com a educação do seu príncipe ou da sua princesa.

Finge…

Com os diabos, em Portugal todos fingem. Mas as escolas mereciam o Nobel do fingimento.

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