SOBRE A VILEZA DO INSULTO E A FALÊNCIA DO CARÁTER

Luís Ochoa. Um colega do meu mega-agrupamento que só vi uma vez, mas que me fascina pela escrita. Não sei se seria esse o alvo. Fosse ou não fosse, é o retrato perfeito da degradação humana e ao ponto a que chegou o ambiente vivido actualmente nas escolas. Na política também. Obviamente, publico com a sua autorização. 

SOBRE A VILEZA DO INSULTO E A FALÊNCIA DO CARÁTER

Há dias em que a condição humana se revela, não na sua grandeza, mas na sua mais crua miséria. E não falo da pobreza material, nem sequer da ignorância enquanto ausência de saber — pois estas, por si só, não comprometem o espírito. Falo de outra forma de ruína: a que se manifesta no ódio gratuito, na palavra que fere sem razão, no prazer triste de humilhar quem ousa pensar diferente. É aí que a dignidade se desfaz.

Vivemos tempos em que a divergência deixou de ser espaço de diálogo para se tornar campo de batalha. Discordar passou a ser uma ameaça, e o outro – esse outro que ousa existir fora da nossa órbita – tornou-se alvo legítimo de escárnio. E é essa facilidade com que se insulta, com que se diminui, com que se nega ao outro o direito ao pensamento que veste as ruas do mundo por onde passo, e isso entristece-me profundamente.

Não é a crítica que dói – pois a crítica, quando séria, é nobre. Dói o insulto vazio, a ironia cruel, a palavra cuspida como arma. Dói o desprezo arrogante de quem julga saber tudo e desconhece até a humildade do silêncio. Dói o ver caírem as máscaras de tantos em quem depositei respeito – e perceber que por trás delas havia apenas vaidade ferida, intolerância e desonestidade intelectual.

Quando o argumento é substituído pela zombaria, não é o outro que se rebaixa, mas quem insulta. Pois o insulto não é apenas sinal de frustração: é, acima de tudo, sintoma de caráter frágil. Um espírito firme debate. Um espírito vil ataca.

Há um tipo de ignorância que se resolve com leitura. Mas há outra – mais funda e mais triste – que nasce da recusa em ver o outro como legítimo. Essa é ignorância de alma, e dessa, poucos se curam.

Estou triste. Triste, sim. Porque acreditei que a nobreza do pensamento bastava para gerar respeito. Porque quis crer que era possível dissentir com elevação. E descubro, com amargura, que há quem só saiba existir se for pela anulação do outro. Que há quem só se sinta forte quando rebaixa. Que há quem viva do ruído porque tem medo do silêncio – esse lugar onde somos confrontados com aquilo que realmente somos.

Mas ainda assim, resisto. E continuo a crer na palavra que constrói, no diálogo que aproxima, na coragem de pensar contra a corrente. Porque há quem insulte por desespero. E há quem pense por convicção.

Que cada qual escolha o espelho onde deseja ver-se refletido. 

por Luís Ochoa

Uma opinião sobre “SOBRE A VILEZA DO INSULTO E A FALÊNCIA DO CARÁTER

  1. Caro Agostinho,

    Por limitações que não tenho conseguido ultrapassar, tenho andado arredada deste e de outros espaços onde podemos escrever e partilhar ideias e sentimentos tal como as pensamos e como os sentimos, livremente.

    No entanto, hoje, por sorte (também mereço alguma!), senti-me muito feliz por aquilo que acabei de ler. Que haja sempre sabedoria, lucidez e coragem para os bons e ricos de espirito, pois a humanidade precisa muito, mesmo muito de todos os que veem, pensam e sentem aquilo que, infelizmente, uma boa parte da humanidade nunca viu nem compreendeu ou, pior ainda, nunca quis ver e compreender. O mundo anda desatinado, perdido, à deriva, e sem rumo. O mundo parece estar em modo de constante apagão, armado de cegueira até ao ódio, à ambição e ao poder a todo o custo. O mundo acredita que a dita tecnologia “Inteligência Artificial” será a derradeira salvadora da Humanidade, que fará coisas especiais e maravilhosas que os humanos jamais viram. Tudo em nome da evolução, da inovação, da rapidez, da produtividade e da nova criatividade. Aquilo em que virtualmente acreditamos vai fazer o Mundo andar para a frente, na realidade vai dar passos para trás no humanismo e na Humanidade. Será este um outro “Maravilhoso Mundo Novo”?

    Acredito muito que, antes de a gigantesca estrela que nos ilumina e aquece, que nos une sem descriminar, se extinguir, já o Homem terá exterminado a sua espécie e todas as outras, e o Sol ainda ficará por cá durante muito tempo, como se acreditasse na inteligência e na bondade da Humanidade.

    Bem hajam!

    Paula

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