O amor

Estudei 5 anos na congregação religiosa católica dos Irmãos Maristas. Sou ateu, mas guardo as melhores recordações da educação que aí recebi. Muitos dos meus princípios morais e éticos, fundamentais no meu crescimento como ser humano, foi dos Irmãos Maristas que os recebi.

Hoje, os tempos são outros, e sinto-me na obrigação de comungar com os meus amigos qualquer coisa que me tem deixado muito confuso e que, de certo modo, acaba por me provocar alguma perturbação na vida. Não sou pior ou melhor do que os outros e não quero dar lições de moral, ou de política, a ninguém. Classificaria como reflexões, sem pretensões.

Não vou descrever a última ceia de Cristo. Mas, foram lá pronunciadas algumas palavras que os cristãos não podem dizer que não sabem ou que não se lembram. Vivemos num país e numa europa maioritariamente cristã. Pode não parecer, mas é verdade.

No evangelho, S. João 13:34, Jesus Cristo pronuncia estas palavras: ” Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei.”

Estas, como muitas outras palavras de Cristo, não me são indiferentes, e não o deveriam ser para ninguém. Quer sejam cristãos católicos, de outros ramos do cristianismo, ateus ou de qualquer confissão religiosa. Porque não é preciso ser religioso para se poder ser um cidadão responsável e humanista.

Tenho verificado que, cristãos ou não cristãos, religiosos ou não religiosos, parece que, sem eu compreender as verdadeiras razões, deixaram de dar qualquer importância àquelas sábias palavras. Chega a parecer que as consideram lixo. Jesus Cristo não é lixo.

A questão é muito simples. Todos os partidos políticos têm defeitos e virtudes. Nenhum deles é perfeito e a perfeição não existe. Mas, deveríamos todos fazer o nosso acto de contrição e perguntar:

Como é que eu posso votar num partido político que substitui as palavras do amor pelas palavras do ódio, dirigidas a outros seres humanos? E não só: como é que eu posso acreditar num partido político que se diz de cristão e que espalha à boca cheia a mensagem do ódio, da discriminação e da humilhação?

5 opiniões sobre “O amor

  1. Parece contraditório, não é? Mas não é. Acreditar nas palavras de um Homem não significa ser discípulo desse Homem. Cristo pronunciou palavras sábias muitas vezes. Mas, daí a considerar-se Deus, vai uma grande distância. E uma distância bem maior acreditar no fundamento do cristianismo: a ressurreição. Ser ateu não é negar a filosofia de Cristo, é não acreditar que fosse Deus. E não posso acreditar que fosse Deus. Considero que foi um grande Homem, e acho que não é nada pouco.

    Gostar

    1. Que engraçado…Nunca tinha visto discutir a desvinculação do cristianismo desta maneira.

      Só mesmo para quem já pensou muito e tomou as suas decisões apoiadas na reflexão.🤔

      Parece que Agostinho se diz ateu porque não acredita em Deus ou que Jesus fosse filho de Deus; mas ainda é cristão porque considera muito os ensinamentos de Cristo como homem…

      Uma reflexão iluminada quanto a mim.🤔

      Gostar

  2. “Como é que eu posso votar num partido político que substitui as palavras do amor pelas palavras do ódio, dirigidas a outros seres humanos? E não só: como é que eu posso acreditar num partido político que se diz de cristão e que espalha à boca cheia a mensagem do ódio, da discriminação e da humilhação?”.

    Texto de AO

    Boas perguntas. Sobretudo a 2a : na mouche!

    O Chega, penso que é do partido Chega que se trata, é um partido de mentirosos!

    Intitulam se tudo: cristãos, anti corruptos , anti ladrões, etc etc.

    Uns santos 😇. Uns santos com os maiores pés de barro que eu já vi!

    Por detrás da sua figura angelical, esconde se ou vislumbra se o diabo da mitologia cristã. O chifrudo 👿 com a sua cauda de animal e concupiscência.

    Como Agostinho , interrogo me: Como podem os verdadeiros cristãos votar nestes diabos com figura de deputados?

    Como é que se deixaram enganar???

    Gostar

Deixe uma resposta para Voilá 🤷 Cancelar resposta