Vocês ouviram? Não ouviram o grito raivoso da natureza? Eu sei que sofremos todos um pouco de surdez e às vezes é preciso ver para saber ouvir. Venham ver, se ainda não viram e venham ouvir, se ainda não ouviram. Viram na televisão? Não viram nada. Televisão é ficção. Televisão é ilusão. Vejam com os vossos olhos e sintam a realidade sem intermediários. Rejeitem a sombra da verdade e contemplem a cruel realidade. Porque a verdade está sempre para além da sombra que preenche a nossa imaginação.
Lembrei-me da minha escola. E lembrei-me de Platão e de Picasso. E lembrei-me de muita coisa que não vou agora aqui escrever. O que é que tem uma coisa a ver com outra, poderão pensar e com alguma razão. É o grito da natureza. Só o ouve quem o quer ouvir. A verdade, e a sombra que esconde e manipula a verdade. A sombra e a ilusão da verdade. A sombra, imagem refletida da realidade sem nunca deixar de ser sombra. Só sombra. A realidade está noutro lado, noutro corpo.
A escola são pinheiros partidos e estilhaçados a meio, ou arrancados pela raiz. A escola, vendaval de forças onde já só restam sombras. A ilusão de aprender. Ou ensinar o que não se aprende. O grito da natureza. Eu ouvi e hoje vi com os meus próprios olhos. Picasso e a sua famosa obra, a Guernica. Vi a Guernica na Marinha Grande, a caminho da Vieira e de S. Pedro de Moel. Árvores rasgadas e reduzidas a esqueletos vivos. Corpos revoltados vencidos pelo grito da natureza. Escolas mortas e outras moribundas, sombras de fantasmas criados pela cruel natureza humana. Eu vi.
Venham ver. Vejam e ouçam a voz poderosa da nossa mãe natureza que se levantou enfurecida, porque nunca a quisemos ver e ouvir para além das sombras que nos projetam de uma realidade ilusória. Ouçam o deserto dos troncos quebrados. Ouçam o deserto dos troncos que sucumbiram para que nós os pudéssemos ouvir. Deixem-nos falar. Não os calem. Não os mandem calar. Deixem-nos falar nas vossas consciências adormecidas.
Estamos vivos. As ondas do mar continuam a espraiar-se nas areias lisas da praia. Não fechemos os olhos nem os ouvidos ao grito da mãe natureza. Coragem. É também um grito de coragem. Um grito de libertação das sombras que enchem os nossos dias. Um grito de um futuro melhor para todos nós.


Lindo mesmo e cheio de força!
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Isto marcou-nos muito. Mas eu já não sei o que é que mais me traumatiza, se a escola ou a violência destruidora do vento. Talvez ambos.
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