Porquê proibir telemóveis nas escolas se o TikTok pode entrar ao vivo na escola?
Foi o que aconteceu em 79 escolas portuguesas nos últimos dois anos. Quem investigou foi o jornal PÚBLICO, e honra lhe seja feita. Talvez tenham conseguido mais com um trabalho de investigação do que os professores, todos juntos, não conseguiriam em toda uma vida de trabalho.
O assunto é de tal modo grave que, confesso, tenho alguma dificuldade em abordá-lo. Mas não me compete a mim fazer essa avaliação.
Todos sabemos o que são influenciadores. Ou influencers, porque é mais chique em inglês. Os que entraram e estiveram a atuar ao vivo nas 79 escolas são os da pior espécie, os mais rascas. Um deles até produz e comercializa vídeos pornográficos e masturbações ao vivo. Alguns alunos confessaram ter conhecimento desses vídeos — alunos com 9 ou 10 anos, outros com 16.
Estes influenciadores não caem do céu aos trambolhões. São convidados por alunos que se candidatam às eleições nas escolas para a associação de estudantes. Ter um destes influenciadores na campanha eleitoral é vitória garantida da lista candidata. Também não podem entrar e fazer espetáculo sem autorização das direções das escolas.
De acordo com o jornal PÚBLICO, estes influenciadores “fazem da sexualização das crianças um negócio”. Influenciadores que “dançam em cima de mesas ao som de músicas sexualmente explícitas”. “Às danças virais com crianças, seguem-se imagens sugestivas, com links diretos para os conteúdos sexuais que produz.” O resto deixo à imaginação de cada um — para quem tiver coragem de imaginar escolas públicas permissivas a espetáculos desta natureza com crianças acabadas de sair do ensino primário.
Vale a pena pensar nos argumentos usados por alguns diretores e diretoras. “Quando vi os nomes que os alunos me entregaram para a direção autorizar, fui ao TikTok e vi-o sempre em tronco nu.” Fiquei com a sensação de que esta adjunta da direção terá gostado do tronco nu; caso contrário, talvez não tivesse autorizado. A mesma adjunta, quando soube, dias depois, que Gonçalo Maia produzia vídeos pornográficos, terá dito: “E eu disse-lhes: “Oh, não tenho nada a ver com isso. Ele aqui portou-se bem.” Portou-se bem, disse ela. Esta senhora nunca tomou consciência da verdadeira gravidade dos seus atos.
Ainda argumentaram: “Eu dei liberdade às listas. Não me quis intrometer.” Não me quis intrometer, disse a diretora. Esta senhora diretora, afinal, intromete-se em quê? Na educação dos alunos, não é, com certeza — que é a única coisa que deveria fazer. Outra diretora foi um pouco mais longe quando justificou a entrada do influenciador Gonçalo Maia, porque receava “perder os alunos”. Perder os alunos… pensou, talvez, que os encontrasse naquele miserável e degradante espetáculo. “Nós não podemos ir completamente contra. E isso também lhes faz bem: eles verem o que é bom e o que é mau.” Alguém disse àquelas crianças o que era bom ou o que era mau? Foi assim que esta senhora diretora educou os seus filhos? Era esta a escola onde os matriculava?
Como não gosto muito de moralismos, deixo uma opinião administrativa: demissão imediata da direção daquelas 79 escolas. Os nossos filhos não vão à escola para ver e aprender educação pornográfica.

Nota: link de acesso ao texto do jornal Público.

Na mouche!
Agora que retiraram a educação sexual das escolas, as 79 escolas fornecem educação pornográfica aos alunos.
Está certo . É digno . Estão no bom caminho.
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É verdade, Voilá. Má sorte a nossa ser hoje professor. Sinceramente, fiquei muito triste com o que li. E também, porque não dizê-lo, ainda mais desiludido com a nossa escola e diretores e diretoras e adjuntos e adjuntas e ministros…. essa tralha toda de gente.
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