A escola do teu filho

A educação é uma responsabilidade coletiva. A educação e a escola são da responsabilidade de cada um de nós. Encarregados de educação, professores e cidadãos em geral não podem abandonar o dever de lutar e reivindicar uma educação e uma escola como motores de desenvolvimento e de criação de riqueza.

Na Idade Média, a educação, saber ler e escrever, era privilégio do clero e de alguma nobreza. O povo era esmagadoramente inculto e analfabeto. Mais de 90% da população portuguesa era povo. Não existia ensino para o povo.

No século XVIII, o nosso Marquês de Pombal realizou um assinalável esforço para diminuir a praga do analfabetismo. Criou escolas primárias e fez algumas reformas na educação nacional. No entanto, o analfabetismo continuou com números elevadíssimos, já com Portugal na cauda da Europa.

Em 1820, com a Revolução Liberal, influenciada pelos ideais da Revolução Francesa, que propunha o fim dos privilégios do clero e da nobreza, foram realizados importantes esforços para combater o analfabetismo, que ainda ultrapassava os 80% dos portugueses. Criaram-se muitas escolas primárias, mas faltava dinheiro e faltavam professores.

Com a queda da monarquia e a instauração da República, em 1910, os governos republicanos privilegiaram a educação nacional. O ensino primário tornou-se obrigatório e foram feitas muitas campanhas contra o analfabetismo. Não obstante este enorme esforço dos governos republicanos, o analfabetismo continuava a atingir mais de 70% dos portugueses.

Durante o governo fascista de Salazar, foi dada alguma importância à praga do analfabetismo. Mas o combate foi tímido e, sobretudo, só depois de 1950 ou 1960. A verdade é que esse analfabetismo pouco diminuiu e estávamos vergonhosamente sós na Europa, incultos e com mais de metade da população analfabeta.

O 25 de Abril, em 1974, travou a maior batalha de sempre contra a desgraça do analfabetismo nacional. A construção de imensas escolas primárias e de ensino básico e a escolaridade obrigatória até ao sexto ano, e depois ao nono, foram medidas importantes. A educação de adultos foi uma das prioridades dos governos democráticos saídos da Revolução de Abril. O analfabetismo teve a maior redução em toda a nossa História.

Ser analfabeto é uma condenação à pobreza. Não precisamos de decretos para criar pobreza. Basta ser analfabeto. Sem educação, não há criação de riqueza. Sem educação, não descem do céu a saúde ou salários melhores e mais justos. Sem educação, todos os povos estão condenados à pobreza.

O ataque à educação pública e gratuita em Portugal atingiu, nas últimas duas décadas, níveis intoleráveis e imorais. Hoje, não basta saber ler e escrever para não ser considerado analfabeto. Basta não ter adquirido os conhecimentos e as competências necessárias para o exercício de uma profissão.

De governo em governo, nos últimos 15 anos, a violência do ataque à escola pública aumenta de intensidade. É um regresso ao passado dos privilégios da nova nobreza ou do novo clero. Já não aprendem nos mosteiros ou conventos, mas nas escolas privadas para ricos e privilegiados.

Cada português, e cada um de nós em particular, tem a obrigação e o dever de ouvir e apoiar, sem reservas, os professores. Os professores lutam por uma escola que garanta um futuro e uma vida digna a cada um dos seus alunos. Os professores lutam pela democracia e pela igualdade de oportunidades de todos os seus alunos, ricos ou pobres.

Os professores lutam contra o analfabetismo moderno. Os professores não querem o regresso à idade das trevas e dos privilégios de alguns. Os professores querem um futuro melhor para todos. Os professores são um corpo de trabalhadores em quem todos ainda podem confiar.

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