Aos meus alunos, ensino a paz. Parece uma batalha perdida, porque este Governo está empenhado em ensinar e defender a guerra. Um governo que investe energia e dinheiro em comemorações de batalhas não é um governo, mas um bando de ignorantes e de gente de má-fé.
A Batalha de S. Mamede, travada no ano de 1128 entre os partidários de D. Afonso Henriques e os partidários da sua mãe, Dona Teresa, é, por natureza, um mau presságio e talvez explique algumas das tragédias da nossa História e do nosso atual quotidiano coletivo. Foi uma batalha em que um filho ergueu a espada contra a autoridade da mãe. E é isto que o senhor Montenegro quer comemorar e elevar à categoria de feito grandioso, com o pretexto dos 900 anos.
O nosso primeiro-ministro, coadjuvado por pessoas pouco recomendáveis e que de História pouco ou nada sabem, quer ensinar aos portugueses uma nova História de Portugal. Uma História feita de batalhas, guerras, espada em punho e cruz ao peito.
Temos um passado histórico do qual não nos devemos envergonhar, mas nada justifica ou explica que possamos inchar o peito e levantar a espada da honra e do orgulho porque um filho se revoltou contra a mãe e a obrigou a exilar-se, presa num castelo.
Vulgarizaram-se, um pouco por todo o país, as festas e comemorações medievais. Lembro, a quem já tenha esquecido, que a Idade Média foi um período da História que se arrastou por cerca de mil anos e que foi marcado pela fome, pela miséria, pela exploração e pela pobreza extrema para mais de 90% da população portuguesa e europeia. Foi o que foi; é a História. Mas temos muito pouco para exaltar dessa época. A nossa obrigação, enquanto portugueses honrados, é repudiar o regresso dessa desumanidade.
Nós, professores, trabalhamos nas escolas com a responsabilidade de educar crianças e jovens para uma cidadania responsável e para uma democracia em que a igualdade de oportunidades deveria ser uma prioridade. No entanto, temos um primeiro-ministro empenhado em diminuir o orçamento para a Educação e em comemorar batalhas que ocorreram há 900 anos. Isto é chocante e ofensivo.


Mais uma vez, o Agostinho tem montes de razão, mas devemos enquadrar a iniciativa no contexto onde se integra. Já sabemos que o monte-escuro e seus tiranetes de serviço se estão completamente borrifando para a história, para a batalha e para o resto. Dado que já desistiram, por pura incompetência e estupidez, de governar realmente, de resolver os reais problemas do país, sequer de tentar, então a sua única alternativa é fingir que governam, fingir que decidem, fingir que não estão a fingir, fingir que são confiáveis, fingir que são responsáveis sem ninguém ser responsável por nada, fingir que fazem reformas sem reformar nada, sobretudo aquilo exactamente que seria mais preciso reformar. Vai daí, passam a vida a inventar iniciativas da treta pra entreter o pagode, para atirar areia para os olhos do povão ignaro. Está neste caso obviamente a tragédia e caos nos exames (completamente desnecessária, a não ser pra despejar mais uns milhões nos bolsos de certos figurões). Dado o desastre em processo de evolução, era indispensável acenar com um novo espantalho que distraísse um pouco a maralha.
Ena pá, e se anunciassemos comemorar uma batalha qualquer?
Boa! Boa! Vamos nessa. Arranja aí uma batalha à maneira e temos o problema resolvido ou pelo menos adiado. Um chuto para fora resulta sempre para passar o tempo.
Oh pá, tu és um génio do caneco!
Eu? Euzinho? Ora, isto já são uns anitos a virar frangos….
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