És professor

Desde os tempos da senhora ministra Maria de Lurdes Rodrigues que os professores e a escola pública não corriam o risco de sofrer tanta falta de respeito. Há poucos anos, soubemos todos erguer a voz e dizer: “RESPEITEM-NOS!” e ganhámos.

Discute-se agora o Estatuto da Carreira Docente, a Bíblia dos professores. Tanto quanto já sabemos, esse documento pode sofrer alterações repugnantes. Entre muitas, querem exterminar o professor do quadro de escola ou agrupamento e substituí-lo por mapa de pessoal. Sabes o que isto significa? Que já não és quadro de escola e podes passar a ser mão de obra dispensável.

A maioria de nós sofreu e andou realmente com a casa às costas até conseguir um lugar mais próximo da sua residência. Pois poderá ser ainda pior dentro de pouco tempo. Já não terás um concurso nacional, de acordo com a tua graduação profissional; terás de ir a uma qualquer escola e perguntar se precisam do teu trabalho. Exatamente como tem acontecido com os psicólogos e outros técnicos, por exemplo.

A tua avaliação de desempenho é injusta e humilhante. Deram-te Muito Bom ou Excelente, mas, no final, ficaste só com Bom. Também não sabes por que razão alguns colegas conseguiram fugir às quotas dos 5% de Excelentes e dos 20% de Muito Bons. Prepara-te: pode ser ainda mais injusta e mais humilhante. Poderás precisar de trabalhar 90 anos para atingires o último escalão e serás avaliado de acordo com o SIADAP. Provavelmente, poderás subir um escalão de 8 em 8 anos.

Os professores da região centro vão reunir no dia 6 de maio, às 9h30, no Sport Operário Marinhense, na Marinha Grande. Não podes faltar.

Teremos os melhores sindicalistas para esclarecer o que pretendem alterar no nosso Estatuto. As faltas são justificadas, porque temos ainda direito às 15 horas anuais para atividades sindicais, e será entregue o comprovativo a quem estiver presente.

A democracia não obriga à tua presença, mas responsabiliza a tua ausência. Somos professores e temos a obrigação moral de deixar aos futuros professores uma profissão docente mais digna do que aquela que recebemos e mais digna do que aquela que agora nos querem impor.

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