Em nome da verdade e da defesa dos direitos dos alunos. Porque os alunos têm direito a ser avaliados, e avaliados com justiça e equidade. Um aluno mal avaliado pode comprometer as aprendizagens de uma turma inteira. A desmotivação para o estudo começa com alunos mal avaliados. Retirar ao professor o poder de avaliar é a mesma coisa que retirar ao médico o poder de curar.
Temos escolas e professores que avaliam não de acordo com as aprendizagens realizadas pelos alunos, mas de acordo com as ordens, as regras e os critérios arbitrariamente impostos, quer pela escola, quer pelo Ministério da Educação. Tudo conjugado para exibir sucesso administrativo e alimentar o ego de muitas direções escolares.
Factos são factos. Um professor não pode apresentar mais de 30% de insucesso na sua disciplina, e nem sempre a atribuição de um nível negativo significa insucesso. Todos sabemos que as turmas não são todas iguais e todos sabemos que os alunos não têm todos as mesmas preferências. Se há turmas em que 30% de insucesso poderá ser um exagero, também há outras que facilmente podem atingir os 70% ou 80%. E, neste caso, ou o professor inventa e é desonesto, ou é acusado de incompetente.
Um professor não pode avaliar os alunos de uma turma, na sua disciplina, com mais de 20% de discrepância em relação à percentagem de níveis positivos das restantes disciplinas. Isto obriga, por exemplo, o professor da disciplina de Matemática ou de História a atribuir níveis idênticos àqueles que os alunos obtêm em Educação Moral e Religiosa, Educação Física ou qualquer outra disciplina menos estruturante no currículo do aluno. Absolutamente inaceitável.
O professor não pode apresentar, na avaliação dos alunos da sua disciplina, um diferencial inferior a 10% entre a média da disciplina e a média global da turma. Nivela-se tudo pela mesma bitola, como se um aluno muito bom em Artes ou Ciências também tivesse de ser um génio em Inglês ou em qualquer outra disciplina. É a ignorância arrogante aplicada contra a função essencial da escola e do professor: potenciar os alunos de acordo com as suas preferências e aptidões.
Um professor não pode atribuir um nível negativo a um aluno se esse for o seu único nível negativo, sob pena de ser obrigado a apresentar um conjunto de argumentos que justifiquem plenamente a atribuição desse nível negativo. O mesmo é dizer que poucos, ou nenhuns, alunos apresentam níveis negativos no conjunto das disciplinas em que são avaliados.
Os professores não podem avaliar um aluno com mais de quatro níveis negativos, sob pena de terem de apresentar um plano de trabalho que os obriga a lecionar durante cerca de mais um mês e a recuperar, nesse período de tempo, aquilo que o aluno não conseguiu, ou não se preocupou em conseguir, durante nove meses letivos. É assim que as escolas se podem gabar de ser pedagogicamente muito inovadoras, porque não apresentam retenções ou apresentam apenas percentagens residuais de retenção.
Penso que não é esta a escola que queremos. Os alunos têm direito a ser respeitados na sua avaliação. Tal como os professores devem ter o direito de avaliar com honestidade.

