Estou absolutamente seguro da justiça das minhas opções de luta. Estou absolutamente seguro de que a greve, dia 3 de junho, foi necessária e importante para chamar, mais uma vez, a atenção de quem nos governa para o facto de que as medidas que querem legislar contra os trabalhadores são medidas anacrónicas e representam um violento retrocesso social. São medidas que afetam gravemente a dignidade no trabalho e a dignidade do trabalhador, como afetarão gravemente a vida de milhões de famílias.
Esclareço que os piquetes de greve não são ilegais. Um piquete de greve não é nenhuma ação terrorista organizada por vândalos. Um piquete de greve cumpre o objetivo de informar quem não está informado, chamando a atenção para a nossa responsabilidade como cidadãos conscientes, responsáveis e solidários. Foi isso que fizemos: tentar esclarecer a necessidade de todos mostrarmos o nosso descontentamento coletivo perante a falta de respeito e o desprezo demonstrados por quem educa e trabalha para o enriquecimento do nosso país.
Compreendo o incómodo de alguns. Mas também foi por esses colegas que fizemos greve. A luta não é minha. Esta luta é nossa. Se ganharmos, ganhamos todos. Exatamente como aconteceu na recuperação do tempo de serviço. Também fomos criticados por alguns, mas ganhámos todos. Estava tão certo nessa altura como sei que estou certo hoje. Se incomodámos, ainda bem que sentiram esse incómodo. É porque alguma coisa não estava bem e a nossa consciência não perdoa.
Mas houve excessos. Houve mesmo excessos daqueles que aderiram à greve ou estiveram no piquete? Alguns afirmam que sim, que houve excessos. Eu também afirmo que sim, mas falo de outros excessos. Falo do excesso de professores que não aderiram à greve. Esse foi o principal excesso. Os outros excessos, assumimo-los e demos a cara por eles perante quem de direito. A verdade acima de tudo.
E uma palavra de agradecimento para quem nos recebeu e manifestou uma franca e honesta solidariedade para com a justiça e a urgência desta luta.
Porque esta luta é uma luta humana. Porque esta luta é uma luta pela empatia. É uma luta pela solidariedade de quem passa o dia numa fábrica ou noutro local de trabalho e não tem o tempo necessário para estar com a família e os filhos ao pequeno-almoço, ao almoço ou ao jantar. E também não tem um salário digno para uma vida digna com os filhos e com a família. A desregulação nos horários de trabalho é uma das grandes causas de muitos problemas familiares e na escola.
Queres banco de horas? Queres ter toda a vida um trabalho precário? Queres serviços mínimos que proíbem, na prática, o direito à greve? Queres horários de trabalho de 50 horas? Queres salários de miséria para os teus filhos e netos?
Se alguém cometeu excessos, não fomos nós. Procurem os excessos em quem não respeita o vosso trabalho e a vossa dignidade.

