Os pobres

Dizem os números que há em Portugal cerca de dois milhões de pobres. Uns não trabalham e são pobres; outros trabalham e continuam pobres. Há fenómenos que não consigo compreender bem. Afinal, porque é que são pobres? Porque são malandros e preguiçosos e não querem trabalhar? Mas conheço muitos malandros ricos que também não trabalham.

Porque é que há tantos pobres? É a pergunta que mais me inquieta. Já li e ouvi milhares de respostas e milhares de explicações para a pobreza. Mas os pobres continuam pobres e não parece que a tendência seja diminuir; pelo contrário.

Dizem que este atual governo, com a PSU (Pensão Social Única), está a implementar políticas para combater os pobres. Cheguei a pensar que seria agora que deixaria de haver pobres. Mas não: o combate parece ser contra os pobres e não contra a pobreza.

Os pobres, para serem considerados pobres, não podem ter carro. É um combate mesmo a sério. Para que precisariam de carro, se depois não conseguiriam pagar o combustível? Talvez seja esta a forma mais eficaz de os ajudar.

Telemóveis e televisões, esses, não são proibidos. É sinal de generosidade. Talvez se pense que os pobres também têm direito a distrair-se depois das 15 horas semanais a que são obrigados a trabalhar para receber um subsídio de 150 euros por mês. Tenho um vizinho nessa situação e fico curioso para ver onde irá trabalhar. Espero apenas que não seja aqui.

Este combate aos pobres deixa-me preocupado. Se um dia forem eliminados, qual será a próxima batalha? As grandes causas exigem grandes governos e é preciso muita imaginação para governar um país com tantos “malandros”.

Se esta luta tiver sucesso, talvez desta vez consigamos o impossível: deixar de ter pobres porque finalmente deixámos de saber quem eles são.

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